Publicado 09 de Setembro de 2021 - 17h31

Por Amanda Pupo

No boletim divulgado mais cedo, de 8 horas, a pasta informava que existiam pontos de concentração em 15 Estados. No comunicado mais recente, Pernambuco e Rio de Janeiro saíram da lista

Reprodução/ Twitter

No boletim divulgado mais cedo, de 8 horas, a pasta informava que existiam pontos de concentração em 15 Estados. No comunicado mais recente, Pernambuco e Rio de Janeiro saíram da lista

Após reunião com o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, caminhoneiros indicaram que devem continuar mobilizados até serem recebidos pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Pacheco é pressionado por caminhoneiros bolsonaristas a avaliar pedido para abertura de processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), principal alvo de Bolsonaro na Corte.

Dois dias após os atos antidemocráticos de 7 de Setembro, caminhoneiros que são a favor do governo ainda promovem manifestações em rodovias de 13 Estados nesta quinta-feira, 9, mas a Polícia Rodoviária Federal conseguiu zerar bloqueios nas estradas. As pautas são as levantadas por Bolsonaro, com ênfase nas críticas ao STF e nos pedidos pela destituição de Moraes.

"A gente estabeleceu uma pauta de entrega de um documento ao senador Rodrigo Pacheco e até o momento infelizmente não tivemos êxito nisso. Permanecemos no aguardo de ser recebido pelo mesmo. Talvez existam algumas questões. Quanto tempo vai durar? Já antecipo: nós estamos aguardando sermos recebidos pelo Senador Rodrigo Pacheco. Até que isso seja realizado estamos mobilizados em todo o Brasil", afirmou disse Francisco Dalmora Burgardt, conhecido como "Chicão Caminhoneiro", que disse não ser possível adiantar quais reivindicações estarão no documento destinado a Pacheco.

Tanto Chicão como o outro transportador autônomo que falou com jornalistas após a reunião afirmaram que Bolsonaro não lhes fez nenhum pedido. Ontem, pressionado pelo temor do efeito das paralisações na economia, Bolsonaro circulou um áudio pedindo que os caminhoneiros liberassem as rodovias.

"O presidente não nos pediu nada. Nós estamos aqui numa visita de cortesia visto que viemos ao Senado, infelizmente até o momento não pudemos ser recebidos, e como estamos mobilizados aqui aproveitamos a oportunidade de estar com o presidente, que foi muito cordial. E estamos avançando no sentido de construir uma agenda que seja positiva para todo o povo brasileiro", disse Chicão.

Presente na reunião, a deputada e aliada de Bolsonaro Carla Zambelli (PSL-SP) afirmou que o presidente "não controla o movimento", mas que teria repetido sua preocupação com "os mais vulneráveis" diante das paralisações nas rodovias. "O presidente externou para eles a preocupação com os mais vulneráveis na questão da paralisação, e foi ouvido por eles, e a voz deles na verdade é a voz do povo brasileiro", disse a deputada.

Caminhoneiro do Mato Grosso, Cleomar Araújo afirmou que a pauta dos manifestantes "sempre foi o STF via Senado". "Nossa pauta nunca foi com o presidente, nossa pauta sempre foi STF via Senado. O Senado teria obrigação de atender e tentar resolver a nossa questão. A insatisfação do povo brasileiro com o judiciário. Seria isso", disse Araújo. Chicão Caminhoneiro declarou ainda que as mobilizações não têm relação com o preço atual dos combustíveis.

"Estamos mobilizados pelo direito de liberdade, de expressão, manifestação. O povo infelizmente está sendo impedido de se posicionar em muitas questões e precisamos que isso mude, que a Constituição seja respeitada", disse.

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Amanda Pupo