Publicado 07 de Setembro de 2021 - 17h12

Por Célia Froufe e Eduardo Laguna

O presidente Jair Bolsonaro atacou pessoalmente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante manifestação na Avenida Paulista, nesta tarde. Disse que não vai mais admitir ordens do ministro, que comanda o inquérito dos atos antidemocráticos, das fake news as investigações contra os filhos de Bolsonaro e será o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no ano que vem, quando ocorrerão novas eleições. "Não vamos mais admitir que pessoas como Alexandre de Moraes continuem a açoitar a nossa democracia e desrespeitar a nossa Constituição Federal", disse Bolsonaro. Ele teve todas as oportunidades para agir com respeito a todos nós, mas não agiu dessa maneira como continua a não agir", afirmou o presidente.

Ele também disse que tem poder para afastar seus ministros e voltou a defender o voto impresso. "Se ele não se enquadra, eu demito", afirmou. "No Legislativo, não é diferente."

Bolsonaro repetiu ainda que não pode participar de uma farsa, em referência às eleições de 2022, e disse que as manifestações a favor de seu governo são uma mostra de que a bandeira nacional continuará a ser verde e amarela.

"Queremos eleições limpas, democráticas, com voto auditável e contagem pública", afirmou o presidente, ainda defendendo o voto impresso, que já foi reprovado pelo Congresso Nacional. "Não posso participar de uma farsa", afirmou.

Bolsonaro tem argumentado que a liberação de seu principal concorrente na eleição do ano que vem, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, foi armada para que ele vença o pleito em 2022.

"Hoje temos uma fotografia para mostrar para o Brasil e o mundo, uma fotografia de vocês para mostrar para o mundo e o Brasil que as cores da nossa bandeira são verde a amarela", afirmou. A imprensa internacional está monitorando as manifestações brasileiras.

O presidente também prometeu que cada vez mais a população será conservadora e, também cada vez mais, respeitará as leis e a Constituição.

Pela manhã, o chefe do Executivo fez um pronunciamento mais curto em Brasília. Bolsonaro disse que não aceitará que qualquer autoridade passe por cima da Constituição usando a força do poder. "Não mais aceitaremos qualquer medida, qualquer ação, qualquer sentença que venha de fora das quatro linhas da Constituição", disse mais cedo. "Nós todos aqui na praça dos Três Poderes juramos respeitar a nossa Constituição. Quem está de fora dela ou se enquadra ou pede para sair."

Bolsonaro disse que acredita e quer a democracia. "A alma da democracia é o voto. Não podemos admitir um sistema eleitoral que não ofereça segurança. Não é uma pessoa no TSE que vai nos dizer que esse processo é seguro e confiável porque não é", disse, em uma alusão ao presidente do Tribunal, Luís Roberto Barroso. "Não podemos admitir um ministro do TSE também usando a sua caneta para desmonetizar páginas que criticam esse sistema de votação."

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Célia Froufe e Eduardo Laguna