Publicado 03 de Setembro de 2021 - 12h05

Por Matheus de Souza e Eduardo Gayer/AE

Convocando, mais uma vez, apoiadores a participar dos atos no dia 7 de setembro, ele também disse que as manifestações serão um

Adriano Machado/Reuters

Convocando, mais uma vez, apoiadores a participar dos atos no dia 7 de setembro, ele também disse que as manifestações serão um "ultimato" a "duas pessoas" que estariam atrapalhando seu governo

O presidente Jair Bolsonaro ameaçou nesta sexta-feira, 3, responder a ações consideradas por ele "inconstitucionais". Convocando, mais uma vez, apoiadores a participar dos atos no dia 7 de setembro, ele também disse que as manifestações serão um "ultimato" a "duas pessoas" que estariam atrapalhando seu governo.

"Nós não precisamos sair das quatro linhas da Constituição. Ali temos tudo o que precisamos. Mas, se alguém quiser jogar fora das quatro linhas, nós mostraremos o que poderemos fazer, também", declarou o chefe do Executivo, em cerimônia para assinar o contrato de concessão da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), em Tanhaçu (BA). "Vamos derrotar aqueles que querem nos levar para o caminho da Venezuela, juntos seremos vitoriosos", acrescentou.

Sem citar nominalmente os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), considerados pelo presidente seus inimigos políticos, Bolsonaro disse que "duas pessoas" precisariam entender o seu lugar.

"Não podemos admitir que uma ou duas pessoas, usando a força do poder, queiram dar outro rumo para nosso País. O recado de vocês, povo brasileiro, nas ruas, na próxima terça-feira, dia 7, será um ultimato para essas duas pessoas", declarou. "Eu duvido que aqueles um ou dois que ousam nos desafiar, desafiar a Constituição, desrespeitar o povo brasileiro, saberá voltar para o seu lugar (sic). Quem dá esse ultimato não sou eu, é o povo".

Bolsonaro acusa Barroso, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de ter articulado, dentro do Supremo e da Câmara, a derrota da PEC do voto impresso, uma bandeira bolsonarista. Já Moraes foi responsável por incluir o presidente como investigado no inquérito das fake news.

Lembrando aos apoiadores presentes no evento na Bahia que já fez duas indicações ao Supremo - o ministro Kassio Nunes Marques, já empossado, e André Mendonça, que ainda aguarda sabatina no Senado -, o chefe do Planalto defendeu a necessidade de "renovação" no Judiciário. "Tudo nessa vida é bom ter renovação", afirmou. "O Supremo começa a ser renovado também". Segundo Bolsonaro, Mendonça é evangélico, "mas também é competente".

Retórica

Bolsonaro renovou críticas a governadores pela cobrança de ICMS sobre combustíveis e pelas medidas restritivas adotadas durante a pandemia. Além disso, reconheceu novamente o processo inflacionário nacional e voltou a jogar a culpa da situação nos Estados.

O ministro do Turismo, Gilson Machado, que fez parte da comitiva presidencial, destacou a importância do dia 7 de setembro. Lembrando a história da independência brasileira, o ministro disparou: "Foi sangue de brasileiros que decretou a nossa independência e a nossa liberdade. Jamais será colocada em risco".

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Matheus de Souza e Eduardo Gayer/AE