Publicado 19 de Agosto de 2021 - 20h20

Por Estadão Conteúdo

Um forte terremoto de 7,2 graus de magnitude devastou o sudoeste do Haiti neste sábado, 14, e foi sentido em todo o país, deixando pelo menos 304 mortos, informou o chefe da Defesa Civil do país, Jerry Chandler. Anteriormente, o primeiro-ministro Ariel Henry já havia falado em "várias" vítimas no ocorrido. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram centenas de prédios em ruínas, dando uma ideia da destruição.

"Ofereço as minhas condolências aos pais das vítimas deste violento terremoto que causou várias perdas de vidas humanas e materiais em vários departamentos geográficos do país", escreveu o premiê no Twitter. "Mobilizo todos os recursos da minha administração para ajudar as vítimas." Henry, que assumiu o cargo há menos de um mês, declarou estado de emergência por 30 dias.

Após o tremor, um alerta de tsunami chegou a ser emitido, mas pouco depois foi suspenso. A magnitude de 7,2 torna este terremoto potencialmente maior, além de ter ocorrido mais próximo à superfície, do que o de magnitude 7 que atingiu o Haiti 11 anos atrás, matando centenas de milhares de pessoas.

O terremoto aconteceu a 12 km da cidade de Saint-Louis du Sud, a mais de 160 km a sudoeste da capital haitiana, Porto Príncipe, a uma profundidade de 10 km, segundo o Instituto Geológico dos Estados Unidos (USGS).

O terremoto ocorre em um momento em que o Haiti já está atolado em crises políticas, humanitárias e de segurança. O governo está em crise, um mês após o assassinato do presidente Jovenel Moïse. Há poucos dias, o conselho eleitoral provisório do Haiti adiou o primeiro turno das eleições presidenciais, antes previsto para setembro, para 7 de novembro.

O país ainda enfrenta uma fome crescente e os serviços de saúde estão sobrecarregados pela covid-19. O acesso à região sul, onde ocorreu o terremoto, foi restringido pelo controle de gangues em áreas-chave.

"Este país nunca encontra uma pausa! Cada ano de má gestão não doeu, mas os efeitos cumulativos nos tornaram vulneráveis a tudo", disse o empresário haitiano Marc Alain Boucicault no Twitter. "Vai levar anos para consertar as coisas e ainda nem começamos!".

Há o registro de danos materiais em várias cidades, segundo imagens de testemunhas publicadas em redes sociais. Prédios religiosos, escolas e residências foram danificados no terremoto, de acordo com moradores.

"No meu bairro, ouvi pessoas gritando. Elas estavam saltando para fora", disse Sephora Pierre Louis, moradora de Porto Príncipe, acrescentando que ela ainda estava em estado de choque. "Pelo menos eles sabem como sair. Em 2010, não sabiam o que fazer. As pessoas ainda estão na rua."

O tremor também foi sentido no Caribe, onde as pessoas deixaram suas residências com medo de desabamento. "Todos têm muito medo. Há anos que não havia um terremoto tão grande", disse Daniel Ross, residente na cidade de Guantánamo, no Leste de Cuba.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, aprovou ajuda "imediata" ao Haiti, disse a Casa Branca. O montante da ajuda não foi divulgado. O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse no Twitter que está acompanhando "a mais recente tragédia em curso no Haiti".

Em rede social, o presidente da República Dominicana, Luis Abinader, expressou "consternação" pelo terremoto no país vizinho. "Instruí ao ministro das Relações Exteriores que se comunique com o primeiro-ministro haitiano para facilitar qualquer ajuda dentro das nossas possibilidades", escreveu.

O terremoto deste sábado ocorreu pouco mais de um mês depois que o presidente Jovenel Moise foi assassinado em sua casa por um comando armado, chocando um país que já lutava contra a pobreza, o aumento da violência de gangues e a pandemia.

O juiz de investigação nomeado no dia 2 para liderar a investigação judicial sobre o assassinato de Moise anunciou quatro dias depois que abandonaria o caso. (Com agências internacionais)

Escrito por:

Estadão Conteúdo