Publicado 19 de Agosto de 2021 - 17h09

Por Alberto Bombig

Rodrigo Maia assumirá um cargo no primeiro escalão no governo de São Paulo. Após ter sido convidado diretamente por João Doria (PSDB), o deputado federal pelo Rio de Janeiro será secretário de Projetos e Ações Estratégicas, responsável pelas iniciativas de desestatização, parcerias público-privadas (PPPs) e concessões em andamento no Estado.

Atualmente abrigada sob Planejamento e Gestão, a subsecretaria de Projetos e Ações Estratégicas subirá de prateleira na hierarquia do Palácio dos Bandeirantes para conferir status de secretário a Rodrigo Maia.

Porém, para além do caráter administrativo da função, Maia, adversário de Jair Bolsonaro, assim como Doria, facilitará a interlocução do governador de São Paulo com políticos de outros Estados. Afinal, sua longa experiência como presidente da Câmara dos Deputados o cacifa para tal missão. Juntos, ambos buscam se fortalecer na tentativa de construir uma alternativa de "terceira via" para as eleições de 2022.

Outra interface do cargo será com o setor produtivo e o mercado financeiro, dos quais Maia se aproximou por ter conduzido reformas importantes no Legislativo. "A experiência do Rodrigo Maia à frente da Câmara fortaleceu nele a capacidade de dialogar com governos, sociedade civil e setor produtivo, com eficiência e credibilidade", afirmou Doria.

Após ter deixado a presidência da Câmara, em fevereiro deste ano, Maia tem dividido seus esforços entre fazer oposição a Bolsonaro e buscar um novo partido, pois, após rompimento, foi expulso do DEM, onde construiu sua carreira política.

O candidato de Maia a presidente da Câmara, Baleia Rossi (MDB-SP), foi derrotado por Arthur Lira (Progressistas-AL), apoiado por Bolsonaro. Maia foi traído por membros do DEM, inclusive por deputados ligados ao ex-prefeito ACM Neto, presidente do partido.

Em mais de uma oportunidade, Maia declarou que não medirá esforços para derrotar Bolsonaro nas urnas em 2022. Por isso, é natural que ele passe a integrar o núcleo político de João Doria. O governador tucano disputa o processo de prévias do PSDB em busca da candidatura presidencial no ano que vem.

A ideia de ambos é romper com a polarização entre Lula, à esquerda, e Bolsonaro, à direita. Doria destaca a importância da gestão Maia na Câmara. Segundo governador, essencial para manter o equilíbrio do estado democrático de direito e evitar rupturas institucionais.

Ao deixar o cargo, porém, Maia foi criticado por adversários do presidente porque não aceitou pedidos de impeachment contra Bolsonaro.

Biografia

Filho do ex-prefeito Cesar Maia, Rodrigo Maia também mantém boas relações com o MDB do ex-presidente Michel Temer e com o atual prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD).

O deputado presidiu a Câmara durante o governo Temer (2016-2018) e nos dois primeiros anos de Bolsonaro. Teto de gastos, reforma da Previdência, reforma trabalhista, Marco do Saneamento, Lei da Terceirização e mudanças no Ensino Médio no Fundeb são iniciativas do Congresso creditadas ao empenho direto de Maia. "Todas as reformas que passaram sob sua liderança só foram possíveis por causa do diálogo, do senso de urgência e do olhar estratégico de quem sabe o que é verdadeiramente importante para o País", disse Doria.

Aos 51 anos, o deputado está em seu sexto mandato na Câmara. No Executivo, ele foi secretário de Governo da prefeitura do Rio, de 1997 a 1998. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Alberto Bombig