Publicado 18 de Agosto de 2021 - 17h05

Por Estadão Conteúdo

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), liderado pelo Ministério de Minas e Energia, recomendou a adoção de manobras para manter vazão mínima, como forma de guardar água para atender à demanda de energia nos próximos meses, com previsão de poucas chuvas. Na Usina Hidrelétrica de Porto Primavera, em Rosana (SP), a redução de vazão já causou a formação de ilhas no leito do Rio Paraná, o comprometimento na qualidade da água e a morte de peixes, segundo relatório técnico da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). A queda no nível do rio levou à mobilização de equipes embarcadas para salvamento dos cardumes. No dia 8 de julho, foram mobilizadas 16 equipes com um barqueiro, um auxiliar e um biólogo especialista em ecologia aquática.

Os peixes resgatados, entre eles dourados, que figuram na lista de espécies ameaçadas, foram soltos em áreas do rio com maior volume de água. Foram identificados três trechos críticos, com risco de interrupção no fluxo de água. As operações resultaram na coleta de 1.740 peixes mortos de 11 espécies nativas e exóticas, entre elas peixes amazônicos, como o pacu e o tucunaré. As equipes registraram sucessivos aumentos na mortandade em dias subsequentes, além de queda na qualidade da água.

Em uma única coleta, os peixes mortos totalizaram 407 quilos. Desde 26 de junho, a vazão estava estabilizada em 2,9 mil m³ por segundo. "Face aos cenários de extensas áreas rasas e de alta vulnerabilidade de serem dessecadas em eventual redução do nível, é prudente que não se promova reduções adicionais na vazão. Uma nova redução deixaria as áreas críticas mais rasas, potencializando o risco e a magnitude de novos eventos de mortes", diz o relatório, assinado por oito técnicos, entre biólogos e engenheiros de pesca e consultores.

Vistorias a pé, com uso de drone e de helicóptero, permitiram identificar um trecho de 14 quilômetros do Rio Paraná que poderia ficar totalmente isolado, em caso de nova redução de vazão. Já uma área de 60 hectares ao longo de uma ilha do lado sul-mato-grossense estava em risco de desconexão por baixa vazão, "com riscos iminentes de aprisionamento de peixes em quantidades consideráveis e ações de pescadores, por ser uma área de deslocamento de embarcações".

Navegação

A estiagem ainda afeta a navegação e a pesca em rios que irrigam o Pantanal, um dos mais relevantes biomas brasileiros. Em Cáceres (MT), nesta segunda-feira, o nível era 54 cm, mais baixo que os 85 cm do mesmo período do ano passado e muito inferior à média histórica, de 174 cm. O abastecimento da cidade ainda não foi afetado, mas a autarquia Águas do Pantanal já contrata caminhões-pipa para fazer frente ao risco de desabastecimento. Em Ladário (MS), o nível era de 84 cm, ante média história de 415 e, em Porto Murtinho (MS), de 203 para média de 532.

Embora a maioria das hidrelétricas instaladas nos rios que irrigam o Pantanal seja do tipo fio de água, que não fazem retenção de volume, o nível baixo no reservatório da Usina Hidrelétrica do Manso, na Chapada dos Guimarães (MT), afeta diretamente o bioma pantaneiro. A barragem está em afluente do Rio Cuiabá que, por sua vez, deságua no Paraguai. "Como o nível do Rio Paraguai em Cáceres, no Alto Pantanal, está inferior ao nível do rio em Ladário, no Baixo Pantanal, não está vindo água do Mato Grosso", disse o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck.

No dia 6 de julho, ao menos 40 toneladas de peixe morreram em tanques com redes instalados no reservatório da usina do Manso. Com a crise hídrica, o lago estava com pouca água e a usina operava com apenas 25% de sua capacidade. Houve registros de mortandade menor nos dias seguintes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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