Publicado 10 de Agosto de 2021 - 7h08

Por Estadão Conteúdo

Incêndios fora de controle, impulsionados pela pior onda de calor das últimas três décadas, vêm causando devastação em partes da Europa mediterrânea, especialmente na Itália e na Grécia. Ontem, no 12º dia consecutivo de destruição causada pelas chamas, 2 mil pessoas foram retiradas em balsas da ilha grega de Evia, a segunda maior do país, ao norte de Atenas.

Com temperaturas superiores a 45°C, as chamas já destruíram cinco aldeias gregas e ameaçam casas de bairros no subúrbio de Atenas. Pontos turísticos famosos, como a Acrópole, tiveram de ser fechados em razão do calor e da fumaça. "Se alguém duvida que a mudança climática é real, que venha e veja a intensidade do fenômeno aqui", disse o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis.

A situação também é dramática na Itália, principalmente na Sicília e na Calábria. Segundo autoridades italianas, 70 grandes focos de incêndios já queimaram uma área equivalente a 140 mil campos de futebol - quatro vezes mais do que a média entre os anos de 2008 e 2020. Registros oficiais mostram um total de 12 mortos em três países: Grécia, Itália e Turquia.

Um grande incêndio também vem consumindo a Sibéria. Ontem, especialistas da Rosgidromet, agência russa de monitoramento ambiental, disseram que a fumaça causada pelas chamas já viajou 3 mil quilômetros e chegou ao Polo Norte. O fogo já queimou 34 mil quilômetros quadrados de Yakutia, região mais fria da Rússia. Os incêndios já queimaram 140 mil quilômetros quadrados no país todo.

Segundo cientistas, a onda de calor e os incêndios provavelmente têm relação com o aquecimento do planeta. Ontem, o relatório do Painel da ONU sobre mudanças climáticas indicou que eventos similares podem se tornar mais frequentes caso o aumento da temperatura global não seja freado.

A crise fez a União Europeia montar a maior operação contra o fogo de sua história. Na Grécia, os bombeiros receberam reforços de 22 países. Helicópteros, aviões, quase 1,3 mil homens e 200 veículos foram enviados pelos governos de França, Chipre, Suécia, Espanha, Croácia, República Checa, Sérvia e Romênia. No fim de semana, Alemanha, Polônia, Áustria e Eslováquia também ofereceram ajuda.

Em Evia, o cuidado maior das autoridades gregas é com os idosos. "Tenho vontade de chorar todos os dias", disse Nicholas Valasos, morador da ilha, após retirar os parentes de casa. "A pior coisa é ser acordado pela polícia de madrugada, ter de deixar tudo para trás e fugir."

A economia da ilha, que dependia da produção de vinho e resina, foi arrasada pelo fogo. Segundo a imprensa grega, o dano é incalculável. Os que permaneceram em Evia agora contam os estragos. "Foi a maior catástrofe da história do povoado", disse Makis Ladogiannakis, um dos sobreviventes.

Em Atenas, o governo do premiê virou alvo de críticas generalizadas pela falta de organização, ajuda insuficiente e demora na resposta ao fogo. "Temos pedido, mas eles não têm ouvido", disse Giorgos Stamoulos, vice-prefeito de Mantoudi, vilarejo de 2 mil habitantes de Evia. "Ao todo, nosso município se estende por 5,8 mil hectares e 4,5 mil já foram queimados. Cerca de 1.000 casas foram destruídas. Onde vamos colocar todas essas pessoas?"

Acuado, o premiê pediu desculpas. "Entendo completamente a dor dos nossos compatriotas que perderam suas casas", disse Mitsotakis, que anunciou um pacote de € 500 milhões em ajuda (cerca de R$ 3 bilhões). "As falhas serão identificadas e as responsabilidades serão atribuídas a quem quer que seja." (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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