Publicado 06 de Agosto de 2021 - 20h48

Por O Estado de S.Paulo

Por Redação

A Rússia aumentou o fornecimento de armas e equipamentos militares ao Usbequistão e ao Tajiquistão e realizou manobras militares conjuntas com as forças usbeques nas proximidades da fronteira com o Afeganistão, segundo a agência de notícias Interfax em dois comunicados na quinta-feira, 5, e na sexta-feira, 6. A região está cada vez mais instável desde que tropas americanas começaram a se retirar do Afeganistão, em um movimento que deve ser encerrado em setembro.

Ontem, as forças russas e usbeques concluíram a fase ativa de manobras militares, disse a Interfax, com exercícios que envolveram 1,5 mil soldados. Ambos os países temem que uma piora da situação de segurança no Afeganistão possa se espalhar para a Ásia Central.

A Rússia também está realizando exercícios no Tajiquistão, outra ex-república soviética que faz fronteira com o Afeganistão, esta semana. Para o exercício usbeque, Moscou informou na quinta-feira que implantaria quatro bombardeiros estratégicos.

O chefe do Estado-Maior militar russo, Valery Gerasimov, participou dos exercícios militares usbeques-russos em Tashkent. Questionado, não forneceu detalhes, como quais armas estavam sendo utilizadas.

A segurança no Afeganistão se deteriorou rapidamente após o início da retirada das forças lideradas pelos EUA da região, o que levou a uma ofensiva do Taleban. O grupo insurgente atualmente controla mais da metade dos 421 distritos e centros distritais do país e busca tomar as capitais das províncias.

Líderes de cinco países ex-soviéticos da Ásia Central expressaram ontem preocupação com a instabilidade no Afeganistão e discutiram maneiras de coordenar sua resposta a potenciais ameaças à segurança na região.

Os líderes do Casaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Usbequistão se reuniram em Turkmenbashi, no Mar Cáspio, para conversar sobre os desafios regionais. "Uma solução rápida para a situação no Afeganistão é um fator chave para preservar e fortalecer a segurança e a estabilidade na Ásia Central", disseram os cinco líderes em um comunicado após as negociações.

"A retirada das tropas americanas e aliadas do Afeganistão exacerbou drasticamente a situação militar e política no país", disse o presidente do Tajiquistão, Emomali Rakhmon.

Ele disse que mais de 2 mil soldados do Exército afegão fugiram para o Tajiquistão enfrentando a ofensiva do Taleban. E expressou preocupação com a concentração de grupos terroristas no Afeganistão ao longo da fronteira com o Tajiquistão, que somam mais de 3 mil militantes de ex-estados soviéticos e da China.

O presidente do Usbequistão, Shavkat Mirziyoyev, também defendeu o controle do que acontece no Afeganistão para garantir a estabilidade na Ásia Central. "A segurança e o desenvolvimento estável dependem de um acordo político no Afeganistão", disse.

"São extremistas bem treinados em sabotagem, terrorismo e atividades de propaganda e têm planos de longo alcance em relação à nossa região", disse Rakhmon, observando que o Tajiquistão fortaleceu sua fronteira com o Afeganistão. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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