Publicado 06 de Agosto de 2021 - 8h14

Por Estadão Conteúdo

A perda da medalha inédita para o Brasil na marcha atlética feminina dos 20 km provocou uma dor imensurável em Érica Sena nesta sexta-feira. A brasileira estava perto de conquistar ao menos o bronze no momento em que, a poucos metros da linha de chegada, recebeu a terceira advertência por um movimento proibido e teve de parar por dois minutos, sendo ultrapassada por várias adversárias e dando fim ao sonho do pódio ao terminar na 11ª colocação. Depois da prova, a marchadora elencou as dificuldades para chegar até a Olimpíada de Tóquio e revelou que pensou em desistir.

"Queria muito esse resultado, a marcha atlética brasileira precisava muito disso e eu dei tudo de mim na competição. Estou contente porque hoje fiz a melhor prova da minha vida. Me considero uma vencedora", disse a pernambucana de 36 anos.

"Tive um ano muito difícil, treinei com muitas dores, pensei em parar. Agradeço muito ao meu treinador, que me deu muita força para que eu não desistisse", acrescentou a atleta, a única brasileira entre as 58 competidoras da marcha atlética disputada na cidade de Sapporo, distante mais de 800 km de Tóquio.

O treinador a que Érica se refere é seu marido, o equatoriano Andrés Chocho, recordista sul-americano dos 50 km da marcha. A brasileira mora com ele em Cuenca, no Equador, desde 2011, e se tornou a melhor marchadora da história do Brasil, com resultados expressivos.

Érica ficou tão desolada com a punição que chorou muito após cruzar a linha de chegada e saiu sem falar com os jornalistas. Na marcha atlética, o competidor não pode tirar os dois pés do chão. Quando um sai do solo, o outro começa o movimento e o joelho da perna que dá a passada não pode ser flexionado até que o movimento seja realizado por completo. Vários juízes ficam espalhados ao longo do percurso para aplicar as eventuais advertências. A terceira sanção obriga o atleta a parar por dois minutos, o que aconteceu com a brasileira ao realizar um movimento irregular.

"O que ocorreu no final foi muito inesperado e nunca havia acontecido comigo em grandes competições. A chinesa que estava atrás de mim é a atual campeã mundial e uma atleta muito rápida. A ideia era acelerar antes e ganhar distância dela. Deu certo e quando vi, já estava me aproximando da colombiana e brigando pelo segundo lugar. Depois disso, todos viram o que aconteceu", explicou ela, ainda tentando processar a perda da medalha. "É muito duro por tudo que fiz, mas aconteceu. Fiz o melhor que pude e dei tudo de mim por essa medalha", emendou.

O ouro da marcha atlética ficou com a italiana Antonella Palmisano, com 1h29min12s, a prata foi para a colombiana Sandra Lorena Arenas, que marcou 1h29min37s, e o bronze, para a chinesa Hong Liu, com 1h29min57. Erica realizou o percurso em 1h31min39. Sem a punição, certamente subiria ao pódio. Sua prova foi consistente, tanto que ela chegou a liderar em mais de uma ocasião e sempre esteve no pelotão da frente.

Érica foi a primeira mulher do Brasil a conquistar uma medalha na marcha atlética em Jogos Pan-americanos ao ganhar a prata em Toronto-2015. Em 2019, em Lima, terminou em terceiro lugar. Tóquio-2020 foi sua segunda Olimpíada. No Rio-2016 concluiu a prova na sétima colocação. Além disso, a pernambucana foi quarta colocada nos Mundiais de Londres-2017 e de Doha-2019.

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