Publicado 05 de Agosto de 2021 - 8h08

Por Luiz Carlos Merten

Por especial para o Estadão

PING: Matheus Nachtergaele, ator

Piedade se passa em parte num cinema pornô, tem cenas fortes. O que é o filme para você?

A pornografia é do sistema, é desse ultracapitalismo que somente acentua a desigualdade social e objetifica as pessoas. Como todo filme de Claudião, é sobre afetos. Por detrás da aparência durona ele é um doce.

A presença de Fernanda Montenegro num filme dele parece surpreendente. Você fez a ponte?

Ao ler o roteiro, sugeri ao Claudião que Fernanda fizesse o papel. Ele tinha medo que ela recusasse, mas como já fizemos muita coisa juntos, tenho entrada com ela. Liguei e ela topou na hora, sem nem ler o roteiro. Só pediu uma leitura de mesa, que ele nunca tinha feito com a gente antes. E ela se incorporou ao grupo de forma horizontal. Mesmo hotel, mesma comida, nenhum tratamento especial.

O filme tem tubarão no mar e seu personagem é um tubarão fora d'água. Como foi fazer?

Foi uma experiência muito rica porque, de todos, acho que é o personagem que menos tem a ver comigo, mas eu precisava fazê-lo com sua verdade.

Como vê o momento atual?

Esse é, para mim, um filme de presságio. Acredito que, com essa corrida ao streaming, o cinema de arte vai se fortalecer e o teatro será a igreja da nossa prece pagã. Nós e a arte venceremos o horror.

Escrito por:

Luiz Carlos Merten especial para o Estadão