Publicado 05 de Agosto de 2021 - 8h03

Por Estadão Conteúdo

Epicentro do escândalo de espionagem que implicou dezenas de países e figuras públicas - incluindo do primeiro escalão da política global -, Israel começa a fechar o cerco contra o Grupo NSO, proprietária do spyware Pegasus. Representantes oficiais do governo israelense estiveram em escritórios da empresa na quarta-feira, segundo o Ministério da Defesa do país.

O anúncio foi feito pelo ministro Benny Gantz, em viagem oficial a Paris, durante encontro com Florence Parly, ministra da Defesa da França. Gantz não revelou detalhes da ação nos escritórios da proprietária do Pegasus, mas afirmou que Israel está levando a sério as alegações sobre o mau uso do programa de espionagem militar, criado pela companhia israelense.

Os primeiros relatos da mídia descreveram os movimentos nos escritórios da NSO como uma batida, mas a empresa disse em um comunicado que as autoridades haviam feito uma visita e não invadido suas instalações. A NSO disse ter sido informada com antecedência que funcionários do Ministério da Defesa responsáveis por supervisionar as transações comerciais de ciberexportações sensíveis estariam fazendo uma inspeção, registrou o jornal britânico The Guardian.

Gantz disse à ministra francesa que Israel está levando as acusações a sério, afirmou um comunicado do gabinete de Parly. "Israel concede licenças cibernéticas apenas a Estados-nação e apenas para serem utilizadas para as necessidades de lidar com o terrorismo e o crime", completa o comunicado.

O Pegasus, um spyware de uso militar licenciado pelo Grupo NSO a governos para rastrear terroristas e criminosos, foi usado em ao menos dez países para espionar celulares pertencentes a jornalistas, ativistas de direitos humanos e executivos de todo o mundo, de acordo com um investigação realizada por um consórcio de imprensa formado por jornais como o The Washington Post, The Guardian e Le Monde.

O esquema foi revelado na terceira semana de junho, e desde então novos fatos começaram a vir à tona. A situação é ainda mais sensível com a França, uma vez que a lista de espionados incluiria números de celular do presidente Emmanuel Macron, do ex-primeiro-ministro Edouard Philippe e de 14 membros do governo, como o chefe da diplomacia, Jean-Yves Le Drian, segundo a imprensa francesa. Um serviço de inteligência marroquino teria usado o spyware.

Apesar de o programa ser produzido por uma empresa privada e o uso ter sido feito por governos estrangeiros, o governo israelense passou a ser alvo de pressões internacionais para investigar e esclarecer os detalhes do caso. Segundo o Guardian, o próprio Macron conversou com o primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, na semana passada, para lembrar a importância de investigações adequadas sobre os fatos revelados pela imprensa.

O Parlamento israelense também criou uma comissão para apurar as alegações.

O Grupo NSO se pronunciou e afirmou que as informações sobre o Pegasus estavam cheias de suposições erradas e teorias não corroboradas. "O Pegasus deve ser usado apenas por agências de inteligência e aplicação da lei do governo para combater o terrorismo e o crime", disse a empresa. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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