Publicado 03 de Agosto de 2021 - 22h43

Por Estadão Conteúdo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que respeite a democracia, em um momento em que o mandatário coordena uma onda de prisões de rivais eleitorais e dissidentes políticos. "Não abra mão de defender a liberdade de imprensa, a liberdade de comunicação, porque é isso que fortalece a democracia", disse Lula. "Quando a gente pensa que não tem ninguém para nos substituir, nós estamos virando ditadores."

O conselho foi dado indiretamente, durante uma entrevista ao canal mexicano Once, na última quarta-feira, 28. Lula conversou com a jornalista Sabrina Berman sobre seus anos no poder e o cenário internacional.

"Quando eu era presidente do sindicato, convoquei uma assembleia de trabalhadores e decidi que o presidente do sindicato só poderia ser eleito duas vezes. Quando era presidente da República, muita gente queria que eu tivesse um terceiro mandato, mas não aceitei, porque sou amplamente favorável à alternância de poder", disse Lula à Berman. "Tem que ter revezamento na governança do país para a sociedade ir aprimorando sua participação democrática".

Daniel Ortega busca seu quarto mandato consecutivo nas eleições de 7 de novembro. Desde junho, o governo da Nicarágua prendeu 31 opositores, com ajuda de uma lei aprovada pelo Parlamento em fevereiro passado que permite às autoridades prender, por até 90 dias, pessoas investigadas por um crime. Antes, o prazo era de três dias para apurar, prender e formalizar as denúncias.

Entre os críticos de Ortega presos estão sete candidatos à presidência: Cristiana Chamorro, Arturo Cruz, Félix Maradiaga, Juan Sebastián Chamorro, Miguel Mora, Medardo Mairena e Noel Vidaurre, além de três ex-guerrilheiros críticos do governo e importantes opositores.

Grande parte dos opositores é presa por supostos crimes de "traição" à pátria e "violação da soberania", punidos com pena de 10 a 15 anos de prisão.

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