Publicado 03 de Agosto de 2021 - 21h02

Por João Ker e Lauriberto Pompeu

A Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo informou nesta quinta-feira, 29, que pediu para a Polícia Federal investigar as causas do incêndio que atingiu a Cinemateca Brasileira, na cidade de São Paulo. "Só após o seu controle total pelo Corpo de Bombeiros que atua no local poderá determinar o impacto e as ações necessárias para uma eventual recuperação do acervo e, também, do espaço físico", diz trecho da nota da Secretaria.

A assessoria da pasta também disse que o secretário adjunto, Hélio Ferraz, viajará para São Paulo a fim de acompanhar os desdobramentos do caso. O secretário Mário Frias e o ministro do Turismo, Gilson Machado, estão na Itália participando de um evento do G20, grupo de países desenvolvidos e emergentes.

O incêndio começou na tarde desta quinta-feira, 29, e atingiu o galpão da Cinemateca, na zona oeste da capital paulista. O acervo fotográfico da instituição ficava nesta unidade. Segundo o Corpo de Bombeiros, 17 viaturas trabalharam no local e, por volta das 19h50, conseguiram conter as chamas. Não há registro de vítima e a causa do fogo ainda é desconhecida. O secretário estadual de Cultura de São Paulo, Sérgio Sá Leitão, afirmou que o incêndio foi controlado e que a extensão dos danos está sendo avaliada.

A Cinemateca tem a função de preservar e difundir o acervo audiovisual brasileiro. É administrada pela Secretaria Nacional do Audiovisual, que faz parte da Secretaria Especial de Cultura. Há dois anos, o contrato que a Associação Roquette Pinto (Acerp) mantinha com o Ministério da Educação para a gerência da instituição não foi renovado.

O governo federal se comprometeu com um novo edital para a função, mas a promessa nunca foi posta em prática. Em agosto de 2020, após a demissão de todos os funcionários que trabalhavam na instituição, o secretário Mário Frias foi a São Paulo visitar a Cinemateca e declarou que ela estava "protegida".

No último dia 12 de abril, ex-funcionários da Cinemateca Brasileira publicaram um manifesto alertando para "os riscos que correm o acervo". "O risco de um novo incêndio é real. O acompanhamento técnico e as demais ações de preservação, inclusive processamento em laboratório, são vitais", dizia o comunicado. Em 2018, o Museu Nacional, no Rio, foi destruído por um incêndio.

Leia a nota da Secretaria de Cultura na íntegra:

"A Secretaria Especial da Cultura lamenta profundamente e acompanha de perto o incêndio que atinge um galpão da Cinemateca Brasileira, em São Paulo (SP). Cabe registrar que todo o sistema de climatização do espaço passou por manutenção há cerca de um mês como parte do esforço do governo federal para manter o acervo da instituição. A Secretaria já solicitou apoio à Polícia Federal para investigação das causas do incêndio e só após o seu controle total pelo Corpo de Bombeiros que atua no local poderá determinar o impacto e as ações necessárias para uma eventual recuperação do acervo e, também, do espaço físico. Por fim, o governo federal, por meio da secretaria, reafirma o seu compromisso com o espaço e com a manutenção de sua história."

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João Ker e Lauriberto Pompeu