Publicado 20 de Julho de 2021 - 12h48

Por O Estado de S.Paulo

Por Redação

Novos elementos sugerem que autoridades do Haiti podem ter participado do assassinato do presidente Jovenel Moïse, no começo deste mês. A rede de televisão colombiana Caracol veiculou uma reportagem afirmando que investigadores americanos e colombianos apontam o primeiro-ministro Claude Joseph como um dos mandantes intelectuais do crime. Ao mesmo tempo, a polícia nacional afirma que o ex-senador Joel John Joseph participou do planejamento do crime - atualmente, o "Triplo J" está foragido da justiça.

Joseph se tornou a maior autoridade do país após a morte de Moïse, e é o responsável por organizar o pleito que deve definir o próximo presidente do país. A hipótese sobre a participação do primeiro-ministro ganha força pelo fato de que, antes de ser morto, o ex-presidente havia anunciado um novo nome para substituir Joseph no cargo, que nunca chegou a assumir.

Apesar da reportagem apresentada pela emissora, o diretor da Polícia Nacional da Colômbia, Jorge Luis Vargas, declarou não ter informações a respeito das informações divulgadas pela TV Caracol sobre a participação do primeiro-ministro no crime, e afirmou que as investigações estão sendo conduzidas pela polícia haitiana. "Eu quero reiterar que a investigação judicial, as hipóteses, a explicação, não estão com as autoridades colombianas". Joseph não comentou sobre o caso.

Na quarta-feira, 14, o diretor-geral da polícia haitiana, León Charles, anunciou que foi descoberto que o assassinato de Moïse foi planejado na República Dominicana. Uma imagem revelada recentemente mostrou o encontro em que é possível ver dois dos suspeitos já detidos pela polícia e o ex-senador Joel John Joseph, alvo de uma ordem de prisão, participando lado a lado da reunião.

"Estavam reunidos em um hotel de Santo Domingo. Ao redor da mesa estão os autores intelectuais, um grupo de recrutamento técnico e um grupo de arrecadação de fundos", disse Charles à imprensa. E completou: "Algumas das pessoas na foto já foram detidas. É o caso do médico Christian Emmanuel Sanon e de James Solages. Este último coordenou com a empresa de segurança venezuelana CTU, com sede em Miami", acrescentou.

Na imagem também aparece Antonio Emmanuel Intriago Valera, responsável do CTU, assim como o chefe da empresa Worldwide Capital Lending Group, Walter Veintemilla, empresa alvo de investigação porque "teria arrecadado fundos para financiar" o assassinato, disse Charles.

"Havia um grupo de quatro (mercenários) que já estavam no país. Os outros chegaram em 6 de junho. Passaram pela República Dominicana. Nós rastreamos o cartão de crédito que foi usado para comprar as passagens", afirmou.

Até o momento, mais de 20 pessoas foram detidas, incluindo 18 colombianos e 3 haitianos, dois deles também com nacionalidade americana. Três colombianos foram mortos pela polícia posteriormente. "São ex-soldados das forças especiais da Colômbia. São especialistas, criminosos. Esta é uma operação bem planejada", afirmou o chefe policial.

Hoje pela manhã, o chefe da segurança do presidente haitiano também foi preso. De acordo com o relato do jornal The New York Times, um porta-voz da polícia nacional confirmou que Dimitri Herard foi detido, pois os investigadores querem entender como o grupo que assassinou Moïse não enfrentou mais resistência ao invadir sua casa. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

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