Publicado 19 de Julho de 2021 - 18h04

Por Matheus de Souza e Sofia Aguiar

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), declarou ter certeza de que o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias era o "grande operador" de um suposto esquema mensal de propina na Pasta.

Segundo Aziz, o esquema começou em 2018, durante a gestão do deputado e atual líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), no Ministério da Saúde, e continuou a partir de 2019, já com Dias nomeado. Naquele ano, Barros extinguiu a Central Nacional de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos (Cenadi), responsável pela distribuição de vacinas e de outros insumos pelo governo federal, e a substituiu pela VTC Operadora Logística Ltda.

De acordo com matéria publicada pelo portal UOL, testemunhas relataram a senadores que a "operadora logística" contratada durante a gestão Barros seria um meio para desviar recursos do Ministério. O esquema também beneficiaria Dias, que foi nomeado para trabalhar na pasta em 2019, e, de acordo com as denúncias, se encontrava "constantemente" com a CEO da empresa VTCLog, Andreia Lima Marinho.

Em entrevista ao UOL, Aziz disse que Dias "controlava todo o Ministério da Saúde" e que a CPI tem "fortes indícios" que apontam para a atuação do ex-diretor de Logística. "Vamos continuar investigando para que a gente possa, em cima dos fatos que nós temos, chegar aos nomes".

Apesar das provas que a comissão já acumula, Aziz sustenta que é preciso ter responsabilidade de "apontar o dedo": "Temos de ter responsabilidade e não expor pessoas sem ter certeza". Segundo o senador, "Dias mentiu muito na CPI", por isso teve a prisão decretada. "Ele era um grande operador na Saúde, em muitos contratos assinados nos últimos anos enquanto esteve ali", disse Aziz.

O ex-diretor de logística do Ministério da Saúde foi nomeado ao cargo pelo ex-ministro da pasta Luiz Henrique Mandetta e se manteve apesar das mudanças de liderança na Saúde. No entanto, após denúncias na CPI, em 30 de junho, Dias foi exonerado do cargo. Para o senador, foi estranha a reação da base governista após o pedido de prisão feito por Aziz. "Ou a gente investiga ou não. Os fatos levam a ele ser o grande operador, basta saber para quem operava", aponta o senador.

Nota

Outro episódio que causou estranhamento ao presidente da comissão foi a nota assinada pelo ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e pelos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, após a prisão de Dias. No mesmo dia, Aziz declarou que há muitos anos "o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo". O senador defende o depoimento do ministro à comissão, mas apenas quando alguma acusação envolver seu nome. "Eu não tenho absolutamente nada hoje que coloque o Braga Netto nisso", comentou.

Aziz comentou ainda as ações do colegiado, que serão retomadas em agosto, logo após o fim do recesso parlamentar constitucional. De acordo com o parlamentar, no sábado (17), foi realizada uma reunião para serem divididas tarefas entre os membros do colegiado para serem analisadas durante o período de recesso.

No final de semana, o vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), anunciou que está prevista para acontecer entre os dias 26 e 29 de julho uma reunião virtual entre integrantes da CPI e juristas, a fim de embasar o relatório final da comissão. O responsável pela emissão do parecer definitivo é o senador Renan Calheiros (MDB-AL).

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Matheus de Souza e Sofia Aguiar