Publicado 16 de Julho de 2021 - 14h58

Por Bruno Romani e Guilherme Guerra

O primeiro terráqueo a deixar o nosso planeta apenas por ter uma conta bancária recheada é Richard Branson, bilionário fundador da Virgin Galactic. A empresa de turismo espacial realizou com sucesso na manhã deste domingo, 11, o voo ao espaço que levava a bordo o seu fundador.

O feito altera a lógica de quem podia visitar o espaço sideral: até aqui, este era um ambiente exclusivo de pesquisadores e pilotos de avião, quase sempre financiados por dinheiro público. Com o voo, a Virgin abre as portas para o turismo espacial privado, no qual qualquer pessoa precisa apenas desembolsar (muito) dinheiro para pagar a uma empresa e assim poder visitar os limites da Terra por alguns breves minutos.

A nave Unity tocou a Terra por volta das 12h40 com segurança - cerca de uma hora após a decolagem. O avião chamado White Knight Two, carregando a nave Unity, partiu com 1h40 de atraso da previsão inicial. Inicialmente, o voo tripulado da Virgin Galactic estava marcado para este domingo, 11, às 10h (horário de Brasília), mas foi empurrado para às 11h30 - posteriormente, a decolagem sofreu mais dez minutos de atraso. O primeiro atraso aconteceu por condições climáticas durante a madrugada.

Por volta do meio dia, o White Knight Two já havia atingido 40 mil pés de altitude (12 km). Por volta das 12h26, a Unity se desprendeu do White Knight Two e em 60 segundos quebrou a barreira da velocidade do som. Por volta das 12h30, a viagem atingiu altitude máxima e iniciou o processo de retorno - a Unity funciona como um planador neste retorno. Às 12h40, todos retornaram com segurança.

Em discurso que ocorreu uma hora após o pouso, Branson agradeceu à equipe da Virgin Galactic e à família. "Obrigado, obrigado, obrigado a todas as pessoas e ao time que trabalhou tão duro para tornar este sonho realidade. Amo vocês todos", declarou.

O bilionário deixou claro que quer que o espaço seja um espaço de toda a humanidade, e não somente de ricaços. "Estamos aqui para tornar o espaço mais acessível e fazer com que a próxima geração sonhe em ser os astronautas de hoje e de amanhã", disse.

O foguete SpaceShipTwo, batizado de Unity, foi levado sob um avião chamado White Knight Two a uma altitude de 15 mil metros, antes de se desprender - esta parte do voo durou cerca de 40 minutos. Então, o motor do Unity foi acionado, levando a espaçonave para uma subida em velocidade supersônica a altitudes superiores a 80,5 mil metros. No topo do arco da trajetória, os passageiros flutuaram por cerca de 4 minutos, antes de o avião espacial reentrar na atmosfera. Na transmissão oficial, foi possível observar Branson experimentando a microgravidade.

A SpaceShipTwo pode levar dois pilotos e até seis passageiros. A cabine possui 12 grandes janelas e nada menos que 16 câmeras. No voo deste domingo, dois pilotos e outros três passageiros, todos funcionários da Virgin, estavam à bordo.

O feito, porém, é contestado pela Blue Origin, empresa fundada por Jeff Bezos - o fundador da Amazon tem voo marcado para o dia 20 de julho, e teve seu momento ofuscado com o voo da Virgin. Segundo a Blue Origin, o espaço começa após uma altitude de 100 km, conhecida como linha de Karman. Em um tuíte na sexta, a empresa afirmou que suas naves voam acima dessa altitude, e que seus astronautas não recebem o título com "asteriscos". A Virgin atinge altitudes que não superam os 90 km.

A contestação ocorre pelo fato da Nasa e o governo dos EUA utilizarem a marca de 80 km como a fronteira para o espaço, enquanto a Federação Mundial de Esportes Aéreos (FAI), uma instituição na Suíça, estabelece a fronteira a 100 km.

Antes do voo deste domingo, a VSS Unity tinha ido três vezes para o espaço em 2018 e 2019 saindo da Califórnia e do Novo México. Em 2019, levou como passageiro um empregado da empresa. O último teste da Virgin Galactic aconteceu em maio deste ano. O resultado animou a empresa, que optou por fazer um voo tripulado com seu fundador. "Quem seria melhor do que Richard Branson para testar a experiência completa na cabine?", questionou ao jornal The New York Times Aleanna Crane, vice-presidente de comunicações da Virgin Galactic.

"O mínimo que o fundador da empresa pode fazer é voar com seus funcionários", disse Branson ao canal CNN.

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Bruno Romani e Guilherme Guerra