Publicado 30 de Junho de 2021 - 7h34

Por Renato Vasconcelos

Um jato de combate e um barco de patrulha russos fizeram disparos de advertência contra um navio de guerra do Reino Unido, informou ontem o Ministério da Defesa da Rússia. Segundo agências de notícias russas, a movimentação e os disparos foram feitos após o HMS Defender, um destróier britânico, ter entrado em águas territoriais da Rússia no Mar Negro. O Reino Unido nega.

Segundo os russos, o HMS Defender cruzou a fronteira na manhã de terça, 22, na área de Cabo Fiolent, sul da Crimeia. "O destróier foi avisado com antecedência de que armas seriam disparadas em caso de violação da fronteira. Eles desobedeceram o alerta", afirma a nota.

Um barco de patrulha teria chegado ao local primeiro, fazendo dois disparos de advertência, segundo os russos. Cerca de 10 minutos depois, um caça Su-24M teria se aproximado da embarcação britânica e disparado quatro bombas Ofab-250, também como alerta. O destróier teria navegado 3 km dentro do território russo.

Outra versão

Após o anúncio das autoridades russas, o Ministério da Defesa do Reino Unido negou que qualquer disparo tenha sido feito contra seu navio de guerra. "Nenhum tiro de advertência foi feito contra o HMS Defender", disse a pasta nas redes sociais. Os britânicos também afirmaram que a embarcação estava em águas territoriais ucranianas - a Crimeia foi anexada pela Rússia, em 2014, o que nunca foi reconhecido pela comunidade internacional.

O secretário de Defesa britânico, Ben Wallace, afirmou que o HMS Defender estava fazendo um deslocamento de rotina e entrou em um reconhecido corredor internacional de tráfego naval. "Como é de rotina, os navios russos seguiram a passagem (do destróier) e ele foi informado sobre os exercícios de treinamento em sua vizinhança", disse Wallace.

Após a anexação da Crimeia, a Rússia passou a considerar como suas as áreas ao redor da costa da península. No entanto, os países ocidentais ainda consideram a Crimeia como parte da Ucrânia e rejeitam a reivindicação russa sobre o mar territorial ao seu redor.

O incidente já provocou implicações diplomáticas. O governo russo afirmou que convocará o embaixador britânico para prestar esclarecimentos e cobrou do Reino Unido uma investigação sobre as "perigosas ações" de seu destróier no Mar Negro.

Em um novo comunicado, o Ministério da Defesa russo classificou o ocorrido como "uma grave violação da convenção da ONU" e pediu uma "investigação profunda" sobre as decisões tomadas pela tripulação do HMS Defender.

Apesar da incerteza sobre o que realmente aconteceu, o choque entre equipamentos militares ocidentais e russos é recorrente na região, principalmente depois da anexação da Crimeia, segundo Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM-SP.

"O que é estranho é os russos afirmarem ter enviado um caça para lançar bombas perto do navio britânico. Isso seria uma escalada bastante grande, e é estranho não ter nada que comprove esse momento, como um vídeo, ainda mais se o objetivo era mostrar força perante o Ocidente", disse.

De acordo com o professor, o anúncio dos russos aparenta ter como alvo o público interno, diante da proximidade com as eleições legislativas de setembro. "A popularidade de Putin não está lá essas coisas, principalmente após o tom elogioso em que ocorreu a cúpula com Joe Biden, mesmo após ele o chamar de assassino. Esse tipo de ação militar sempre ajuda a tentar melhorar o apoio entre a população da Rússia." (Com agências internacionais).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Renato Vasconcelos