Publicado 22 de Junho de 2021 - 8h17

Por Estadão Conteúdo

A Uefa anunciou nesta terça-feira que rejeitou a ideia da cidade de Munique, na Alemanha, de iluminar o seu estádio, a Allianz Arena, com as cores do arco-íris da comunidade LGBTQI+ para a partida entre Alemanha e Hungria, pela terceira rodada do Grupo F da Eurocopa, em sinal de protesto contra uma lei aprovada na Hungria.

"De acordo com seus estatutos, a Uefa é uma organização politicamente e religiosamente neutra", afirmou a entidade europeia em um comunicado oficial. "Dado o contexto político do pedido - uma mensagem sobre uma decisão adotada pelo Parlamento nacional húngaro -, a Uefa deve rejeitar o pedido", completou a nota.

A Uefa, que disse "compreender que a intenção é enviar uma mensagem para promover a diversidade e a inclusão", aceitou, no entanto, a ideia e propõe datas alternativas para a iluminação do estádio com as cores do arco-íris. "Pode ser em 28 de junho - o Christopher Street Liberation Day (dia do Orgulho) -, pode acontecer entre 3 e 9 de julho, que corresponde à semana do Christopher Street Day em Munique", informou a entidade.

Organizadora da Eurocopa, a Uefa recordou que há muitos anos faz campanhas a favor da diversidade e da igualdade no futebol.

"O racismo, a homofobia, o sexismo e todas as formas de discriminação são uma mancha em nossas sociedades, e representam um dos maiores problemas do esporte na atualidade. Comportamentos discriminatórios prejudicam as partidas, e fora dos estádios, o discurso na internet a respeito do esporte que amamos", disse a entidade.

A iniciativa dos alemães foi criticada pelo ministro das Relações Exteriores húngaro, Péter Szijjártó, que considerou o pedido "nocivo e perigoso". "É muito nocivo e perigoso quando alguém tenta misturar política e esporte. Houve algumas tentativas de fazer isso na história mundial e essas acabaram muito mal", disse Szijjártó em entrevista a um canal de televisão em Luxemburgo.

Em seu pedido, Munique acrescentou que condena a política do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, considerada discriminatória contra as minorias sexuais. Szijjártó considerou a atitude da cidade alemã uma resposta à lei proibindo conteúdos considerados pró-LGBTQI+ em escolas aprovada pelo parlamento húngaro na última semana.

"Aprovamos uma lei para proteger as crianças húngaras e há protestos contra isso na Europa Ocidental. Eles tentam trazer política para um evento esportivo quando esse evento não tem nada a ver com a legislatura nacional", completou o chanceler.

Por sua vez, a Federação Alemã de Futebol (DFB, na sigla em alemão) concordou com a iluminação do estádio de Munique com as cores da bandeira do arco-íris. Entretanto, o porta-voz da seleção nacional, Jens Grittner, disse que o gesto não precisava ser feito necessariamente na partida contra a Hungria.

No domingo, a Uefa abriu uma investigação contra a federação pelo fato do goleiro Neuer usar, desde o início da competição, uma braçadeira de capitão com as cores da bandeira LGBTQI+. A entidade tentou avaliar um possível uso político do adereço, mas não puniu o jogador por entender ter se tratado de uma "boa causa".

Também neste fim de semana, a Uefa informou que irá abrir uma investigação sobre "possíveis atos discriminatórios" racistas e homofóbicos da torcida da Hungria na Eurocopa. A seleção húngara enfrentou Portugal e França na Puskas Arena, em Budapeste, com o estádio lotado nas duas ocasiões.

Segundo a imprensa francesa, a cada vez que Mbappé tinha a bola no jogo contra a Hungria, gritos de macaco eram entoados nas arquibancadas. Benzema, que tem raízes argelinas, também foi alvo de atos discriminatórios da torcida húngara. Faixas e cartazes com dizeres "anti-LGBT" também foram levados para a arquibancada.

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