Publicado 21 de Junho de 2021 - 11h22

Por Elisa Calmon

O saldo total da carteira de crédito deve crescer 1,1% em maio, estima a Pesquisa Especial de Crédito da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Caso a projeção se confirme, esse seria o melhor índice registrado para o mês desde 2013, quando subiu 1,6%. Além disso, levaria a uma nova aceleração na comparação em 12 meses, de 15,1% para 15,9%, patamar considerado bastante elevado pela instituição.

O crescimento previsto de 1,8% na carteira destinada às famílias deve ser o principal impulso para o resultado previsto em maio. "Essa carteira vem se recuperando desde junho do ano passado e já se encontra em um ritmo de expansão bem acima do patamar pré-pandemia", afirma Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban. "Os resultados de maio reforçam o importante papel que o crédito continua tendo no processo de recuperação", complementa.

Já o maior avanço deve vir da carteira livre, alta de 2,2%, diante da maior reabertura da economia e desempenho positivo no crédito pessoal, estima ainda a pesquisa. Na avaliação da instituição bancária, o resultado seria favorecido pela recente ampliação da margem de consignação de pensionistas do INSS.

Enquanto isso, a carteira direcionada deve manter sua trajetória de crescimento pelo 33º mês consecutivo, subindo 1,3%, liderada pelos bons desempenhos dos créditos imobiliário e rural. A carteira PJ, por sua vez, deve ficar praticamente estável, ganhando 0,2%, em maio, com desempenho difuso entre os recursos.

Concessões

As concessões de crédito devem apresentar crescimento de 4,7% no quinto mês do ano, acumulando expansão de 6,9% em 12 meses, ainda de acordo com a Pesquisa Especial de Crédito. No ajuste por dias úteis, o volume médio de concessões deve ficar praticamente estável, cedendo 0,3% em relação ao mês anterior.

O volume de concessões pessoa física deve crescer 7,2% em maio, com expansão tanto nas operações com recursos livres (+6,8%), quanto com recursos direcionados (+9,5%). "A maior flexibilidade das medidas de distanciamento deve seguir impulsionando o consumo das famílias, com efeito positivo sobre o volume de crédito livre", avalia a Febraban.

As concessões destinadas às empresas devem crescer 1,9% em maio. Na média por dia útil, no entanto, o resultado deve ser uma retração de 3,0%, com queda em ambos os recursos. O maior impacto negativo deve vir das operações direcionadas, recuando 13,2%, que devem seguir acomodando em função da interrupção dos programas públicos de crédito, aponta a Febraban. As concessões com recursos livres, por sua vez, devem mostrar uma retração mais modesta, de 2,4%.

As projeções da Pesquisa Especial de Crédito da Febraban são divulgadas mensalmente como uma prévia da nota do Nota de Política Monetária e Operações de Crédito do Banco Central. O levantamento é feito com base em dados consolidados dos principais bancos do país, que representam de 38% a 89% do saldo total do Sistema Financeiro Nacional, dependendo da linha, além de outras variáveis macroeconômicas que impactam o mercado de crédito.

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Elisa Calmon