Publicado 19 de Junho de 2021 - 22h02

Por O Estado de S.Paulo

Por Redação

A candidata à presidência do Peru no segundo turno das eleições realizado no dia 6, Keiko Fujimori, pediu nesta segunda-feira, 14, uma auditoria da apuração oficial dos votos, que apontou vitória de seu adversário nas urnas, o esquerdista Pedro Castillo.

Além disso, uma ação foi apresentada na Justiça para pedir uma revisão dos pedidos de anulação de votos que foram feitos pela equipe de Keiko após o prazo regulamentar.

Através de seu partido, o Força Popular, Keiko solicitou uma auditoria computadorizada do processo de digitalização dos registros eleitorais, que mostra uma vitória de Castillo por uma margem de cerca de 48 mil votos.

O motivo alegado pela política de direita e filha do ex-presidente Alberto Fujimori para convocar esta auditoria é que "foi detectada por redes sociais uma série de questionamentos" sobre a apuração das urnas e o sistema do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), órgão responsável pela contagem oficial.

"Pedimos apenas eleições limpas e que todas as irregularidades sejam revistas. Não vamos desistir", disse Keiko em redes sociais nesta segunda-feira, argumentando que foi vítima de uma suposta fraude sistemática, embora sem apresentar provas concretas.

Anulações rejeitadas

A auditoria foi solicitada por Keiko após a maioria dos mais de 800 recursos para anular 200 mil votos por supostas irregularidades ter sido rejeitada pelos júris eleitorais regionais por terem chegado após o prazo regulamentar e por não apresentarem provas consistentes de fraude nas mesas de votação.

Esses apelos estão concentrados em regiões andinas, rurais e pobres onde Castillo teve maioria esmagadora, e o argumento, na maioria dos casos, foi de que algumas das assinaturas dos membros da mesa divergiam das assinaturas das mesmas pessoas que constam no registro civil.

Os júris eleitorais que já decidiram sobre os recursos desta suposta irregularidade estão descobrindo que o fato de a assinatura não ser exatamente a mesma que a do registro civil não confere um motivo imperioso para anular urnas.

Ação judicial

Além disso, uma ação foi apresentada à Justiça para pedir uma medida cautelar contra o Júri Nacional de Eleições (JNE), o mais alto órgão eleitoral do Peru.

A ação foi movida pelo cidadão Carlos Antonio Franco Pacheco perante o 5º Juizado Constitucional de Lima depois que o JNE se recusou a prorrogar o prazo para que o Força Popular apresentasse todos os pedidos de anulação de urnas eleitorais.

O JNE, que a princípio queria prorrogar este prazo, mudou de opinião depois de considerar a inconstitucionalidade da medida, como afirma uma decisão do Tribunal Constitucional.

Bachelet teme 'fratura social'

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, expressou sua preocupação nesta segunda-feira sobre a tensão no Peru após as eleições e pediu calma para evitar uma maior divisão social.

"Chamo-lhes à reflexão, calma e respeito pelos valores democráticos e de não discriminação", declarou Bachelet em mensagem postada no Twitter.

O último cálculo do órgão eleitoral (ONPE) dá ao candidato de esquerda uma vantagem de 49 mil votos (50,14% contra os 49,86% de Fujimori) com 99,93% das urnas apuradas. Agora todo o processo depende do que for resolvido pelo JNE em relação aos pedidos de impugnação para proclamar o vencedor.

O peruano ganhador do Nobel Mario Vargas Llosa, que apoia Fujimori da Espanha, disse no domingo que o JNE deve avaliar as contestações apresentadas por Keiko, mas foi cauteloso com as alegações de "fraude".

"A palavra fraude é uma palavra muito perigosa, talvez seja prudente, enquanto o JNE não se pronuncia, não deve se usar a palavra fraude", disse ele em entrevista ao Canal N. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

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