Publicado 12 de Novembro de 2021 - 17h36

Por Agência Brasil

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, discursa durante cerimonia de sanção da Lei da Autonomia do Banco Central

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, discursa durante cerimonia de sanção da Lei da Autonomia do Banco Central

A emissão de green bonds (títulos verdes, que financiam projetos ambientais) no exterior pelo governo brasileiro é limitada pelo teto de gastos, disse hoje (12) o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto. Ele disse acreditar que a demanda por esse tipo de papel tem potencial para disparar nos próximos anos, mas advertiu que a execução dos projetos esbarra no limite federal de despesas.

“O Brasil pode emitir green bond à vontade, mas quanto vou conseguir gastar em projetos verdes? Porque isso também fica dentro do teto”, questionou Campos Neto no seminário internacional Agronegócio Sustentável no Brasil, em Lisboa. O evento é promovido pelas Comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado e da Câmara dos Deputados.

O presidente do BC disse acreditar que os títulos verdes não canibalizariam a demanda por outros títulos públicos brasileiros emitidos no mercado internacional, como os papéis da dívida externa brasileira. “Títulos verdes têm demanda muito grande e têm tudo para crescer”, comentou.

Criptomoedas

O seminário também tratou das criptomoedas (moedas digitais criptografadas), cuja mineração (emissão) consome grandes quantidades de energia por computadores e é vista em alguns países como problema ambiental. Segundo Campos Neto, o Brasil mais importa do que produz esse tipo de ativo, a ponto de as compras afetarem a balança comercial, desde quando as compras de bitcoin passaram a ser registradas como importações na metodologia do BC.

De acordo com Campos Neto, os criptoativos são mais usados no Brasil como ferramenta de investimento (aplicações para fazer o dinheiro render), mas não descartou que o uso das moedas digitais como meio de pagamento aumente no país. “Vimos em outros países que, quando [a proporção de criptoativos] passa de 4% a 5% de investimento, passa a ser usado como meio de pagamento. Estamos em uma fase mais inicial no Brasil”, acrescentou.

O relator do projeto de lei que regulamenta os criptoativos no Brasil, senador Irajá (PSD-TO), participou do seminário como mediador do painel. O parlamentar disse que pretende pautar a proposta na próxima semana para ser votada na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Mercado de carbono

Campos Neto disse que os bancos centrais precisam estar mais preparados para a transição para a economia verde. Isso porque questões climáticas tendem a afetar cada vez mais a inflação e a política monetária, como a alta de alimentos decorrentes de quebras de safra e a elevação no custo da energia.

“A bandeira de energia saiu de menos de R$ 2 para R$ 14,40 por falta de chuvas. Temas climáticos afetam a política monetária”, declarou. O presidente do BC também pediu que os bancos, públicos e privados, emprestem mais recursos para projetos ambientais.

Em relação ao mercado de créditos de carbono, Campos Neto defendeu o desenvolvimento de um sistema de trocas global, que distribua os custos entre produtores e consumidores. “A carga de carbono hoje é maior sobre quem produz do que sobre quem consome. Se [esse tema] não for equacionado, alguns produtores de insumos vão deixar de produzir com essa carga de carbono. O consumidor vai ter que deixar de consumir ou consumir mais caro”, advertiu.

O presidente do BC criticou a imposição de impostos sobre as emissões de gás carbônico, como alguns países propuseram na 26ª Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP26). Segundo ele, um mercado global e funcional saberá financiar projetos de forma mais eficiente que governos.

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