Publicado 20 de Agosto de 2021 - 17h39

Por Agência Brasil

Rio de Janeiro - O prefeito Eduardo Paes participa da campanha Blocos de Rua Unidos Pelo Distanciamento, que lança uma camisa para conscientizar contra aglomeração e ajudar financeiramente  trabalhadores devido ao cancelamento do Carnaval 2021. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Fernando Frazão/Agência Brasil

Rio de Janeiro - O prefeito Eduardo Paes participa da campanha Blocos de Rua Unidos Pelo Distanciamento, que lança uma camisa para conscientizar contra aglomeração e ajudar financeiramente trabalhadores devido ao cancelamento do Carnaval 2021. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, disse que a Procuradoria-Geral do Município do Rio vai encaminhar ainda hoje (20) um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir doses extras de vacinas contra a covid-19, diante do aumento de casos da doença na cidade e do avanço da variante Delta.

Segundo o prefeito, essa é uma medida preventiva diante de declarações de autoridades sanitárias que apontam para diminuição de entrega de doses às unidades da federação que tenham atingido determinado percentual de vacinação.

“Nós entendemos que vivemos a nossa realidade. Por exemplo, nesse momento, a gente é o epicentro da variante Delta, e, portanto, queremos ter garantida a possibilidade, seguindo os parâmetros básicos do Programa Nacional de Imunização, mas tomar as decisões de acordo com a nossa realidade, que é a de aumento de casos, ao contrário do resto do Brasil”, disse durante a apresentação hoje (20) do 33° Boletim Epidemiológico da Covid-19, elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

O prefeito fez um apelo ao Ministério da Saúde para repetir no Rio o que já foi feito em outras cidades e estados, que receberam doses extras quando houve momentos de agravamento da doença.

“Toda vez que tinha uma crise em alguma cidade do Brasil ou em algum estado havia uma entrega maior de imunizante. O Rio é o epicentro dessa variante Delta no Brasil. O meu apelo ao Ministério da Saúde é que entenda isso e, portanto, acelere a entrega das doses aqui. Não vai aqui reclamação, tem aqui agradecimento ao ministro [da Saúde, Marcelo] Queiroga, ao governo federal, ao presidente da República, por estarem mandando as doses, mas a gente precisa acelerar isso no Rio”, destacou.

Máscaras e distanciamento

Na visão de Paes, o quadro epidemiológico do Rio mostra a eficiência da vacina. “Estamos vivendo o pico, lamento informar, não era nosso desejo, mas estamos vivendo o pico de casos. Isso mostra, mais uma vez, que a vacina funciona. Se tem o maior aumento de casos e isso não se reproduz no agravamento e nas mortes, mostra que a vacina funciona”.

O prefeito voltou a pedir a colaboração por parte população e a manutenção de medidas não farmacológicas de combate à covid-19, como o uso de máscaras e a não promoção de aglomerações. “Se a gente tiver que pedir sacrifícios absurdos, pediremos, mas dentro do que é possível, esses cuidados básicos, porque, infelizmente, a situação epidemiológica mudou nas duas, três últimas semanas. Essa variante Delta começou pelo Rio”, afirmou.

Terceira dose

Segundo Paes, o envio de mais imunizantes vai possibilitar também o reforço, com a terceira dose, para os idosos, que a prefeitura pretende começar a fazer a partir da semana que vem, caso seja aprovado pelo Comitê Científico do Município que se reúne na próxima segunda-feira(23). "Quanto antes a gente aplicar a terceira dose nas pessoas mais velhas, mais vidas podemos salvar. Precisamos reforçar, e a situação, nesse momento, é ainda mais crítica”, observou o prefeito.

O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, completou que a capital está com um número muito alto de casos, embora ainda sejam leves. O aumento nos números da doença não tem refletido do crescimento de casos de internação ou de óbito, mas, mesmo assim, segundo ele, o sistema de saúde permanece em alerta.

Busca ativa

Segundo o secretário, a prefeitura vai reforçar a busca ativa de quem ainda não recebeu a vacina. “Quem com mais de 30 anos ainda não tomou a primeira dose da vacina deve procurar um posto imediatamente para se vacinar. 286 idosos foram internados com covid-19 grave porque não tomaram a vacina quando estavam elegíveis. Isso é muito importante, a gente tem uma nova variante e um aumento de casos muito expressivo, mas a gente ainda vê pessoas que poderiam ter se vacinado e não se vacinaram”, comentou o secretário, lembrando que a prefeitura publicou um decreto esta semana que obriga que servidores do município e empregados de empresas prestadoras de serviços na administração da capital estejam vacinados contra a covid-19.

Hoje, a vacinação foi destinada a pessoas com 19 e 18 anos, completando a fase de imunização com primeira dose para adultos. “Antecipamos isso em dois meses. Inicialmente a previsão da conclusão dessa etapa de 18 anos ou mais era 23 de outubro e estamos atingindo essa meta hoje no dia 20 de agosto”, disse o superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Márcio Garcia, também na apresentação do 33º Boletim Epidemiológico

Para amanhã, estava prevista a repescagem para as pessoas de 20 anos ou mais, mas essa vacinação depende da chegada de novas doses, o que pode ocorrer ainda hoje, segundo o prefeito. “Infelizmente, amanhã, se a gente não receber as doses de vacinas previstas para chegar no dia de hoje, a gente só vai ter a aplicação da segunda dose, que está garantida. Quase todas amanhã são da vacina AstraZeneca, que a gente tem em estoque e pode fazer a segunda dose amanhã sem problemas”.

Em dados atualizados nesta sexta-feira no início da manhã, 4.709.852 pessoas foram vacinadas com a primeira dose na capital, que representa 71,8% da população; 2.159.349 receberam a segunda, ou 34% da população, e 137.523 a dose única. A cobertura da população alvo (maiores de 18 anos) com a imunização completa (segunda dose ou dose única) atingiu 43,5%.

Futebol

Soranz afirmou ainda que, com o quadro epidemiológico enfrentado pelo Rio, é impossível pensar na volta de público aos estádios.

“A gente acabou de fazer uma coletiva falando que tem um aumento no número de casos, que tem uma situação preocupante, que a pandemia ainda não acabou. É impossível ficar discutindo público no estádio", destacou.

"Acho que as pessoas têm que ter um mínimo de empatia e entender o que está acontecendo na cidade. É só o que faltava agora a gente ter uma discussão de ter ou não ter público quando há um aumento de casos”, disse, sugerindo que as torcidas se organizem em um movimento para verificar o percentual de pessoas vacinadas entre os torcedores e se os jogadores também já foram imunizados.

‘Esse é o movimento que a gente espera de uma sociedade que entende o momento em que a gente vive”, destacou o secretário.

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Agência Brasil