Publicado 16 de Julho de 2021 - 15h54

Por Agência Brasil

Unidade de Terapia Intensiva, UTI, Hospital, pacientes, tratamento, internação, equipamento hospitalar

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Unidade de Terapia Intensiva, UTI, Hospital, pacientes, tratamento, internação, equipamento hospitalar

O terceiro caso de síndrome gripal por covid-19 relacionado à variante Delta, na cidade do Rio de Janeiro, foi identificado pela Secretaria Municipal de Saúde, após sequenciamento genômico. Segundo a secretaria, a infectada é uma mulher de 72 anos de idade, com comorbidades, moradora do bairro de Campo Grande, na zona oeste da capital, que desenvolveu quadro de síndrome gripal leve e já está curada. A secretaria não informou como foi que ela se contaminou, se foi na cidade ou se teve contato com alguém de fora ou se viajou.

O secretário Daniel Soranz disse que a Organização Mundial da Saúde (OMS) já informou que a variante Delta vai ser a variante predominante no mundo, já circula em mais de 100 países e onde houve registro da presença ela subiu rapidamente o número de casos da covid-19. 

“Aqui no Brasil tem duas discussões, se ela vai conseguir se sobrepor a variante P.1, essa é uma discussão importante e também se, de fato, ela é menos letal e causa menos casos graves. A gente já sabe que ela tem uma capacidade de transmitir muito mais veloz do que as demais”, disse.

Casos

Antes desse terceiro caso, foram identificados outros dois, em homens de 27 e de 30 anos de idade. Um, residente no bairro de Olaria, mas trabalha em Vila Isabel, e o outro na Ilha de Paquetá, bairro da cidade do Rio de Janeiro, no nordeste da Baía de Guanabara. Os dois casos foram de transmissão comunitária, ou seja, dentro da própria cidade. 

Uma média de 20 contactantes estão sendo monitorados para cada infectado. A secretaria informou, em nota, que a investigação epidemiológica dos três casos continua e a Vigilância em Saúde “segue fazendo o acompanhamento epidemiológico da pandemia na cidade e, em conjunto com a Secretaria de Estado de Saúde e a Fiocruz, o monitoramento da entrada de diferentes cepas”.

A recomendação da Secretaria Municipal de Saúde é que independentemente da variante, as medidas preventivas são as mesmas. “A população deve manter o distanciamento, usar máscaras e higienizar as mãos com álcool 70 ou, quando possível, água e sabão; além das demais medidas de proteção à vida estabelecidas na Resolução Conjunta SES/SMS Nº 871 de 12/01/21, que podem ser consultadas em https://coronavirus.rio”.

Dados da secretaria indicam que na última semana foram identificados 48 novos casos de diferentes variantes do vírus na cidade. Entre eles, em 37 moradores da cidade. Desde o primeiro caso de novas variantes, o município contabiliza 772, sendo 636 em residentes. Além dos dois casos da Delta, são 622 casos da Gamma (P.1) e 12 da Alfa (B.1.1.7). Dos moradores infectados por essas cepas, 44 morreram, 18 permanecem internados e 574 já são considerados curados. Dos não moradores do Rio infectados pelas variantes, 24 vieram de Manaus, sete de Rondônia e 105 de outros municípios.

“Tem uma predominância ainda da variante Gama, então, estamos em alerta reforçando a vigilância hegemônica para que possamos observar qualquer alteração na predominância das variantes, se a Delta vai passar a predominar como ela fez em outros países, ou se vamos continuar com a variante Gama predominando”, disse o superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Márcio Garcia.

Cenário

Conforme o 28º Boletim Epidemiológico, divulgado hoje, desde março de 2020, a capital soma 379.339 casos da covid-19, com 29.361 óbitos. Em 2021, são 167.069 casos e 10.483 mortes. A taxa de letalidade deste ano está em 6,3%, contra 8,9% em 2020; e a de mortalidade em 157,4 a cada 100 mil habitantes, contra 283,4 por 100 mil no ano passado. A incidência da doença é de 2.508 por 100 mil habitantes, enquanto em 2020 era de 3.186,6 por 100 mil habitantes.

Mapa

O mapa de risco da cidade para a covid-19 indica que entre as 33 regiões administrativas 11 apresentam risco moderado, na classificação amarela, para transmissão do coronavírus. O que representa mais que o dobro em relação à semana anterior, quando somente cinco estavam nessa categoria. É a terceira semana consecutiva com redução progressiva de áreas com risco alto. 

As regiões administrativas em risco moderado são a Portuária, Lagoa, Vila Isabel, Penha, Bangu, Santa Cruz, Ilha do Governador, Santa Teresa, Barra da Tijuca, Rocinha e Vigário Geral. As demais estão na classificação laranja, ou seja, em risco alto, entre elas, Centro, Rio Comprido, Pavuna, Botafogo, Jacarezinho, Maré e Cidade de Deus.

A análise do mapa de risco da cidade considera indicadores como as internações e óbitos registrados semanalmente. De acordo com a secretaria, as médias móveis desses dois dados, além dos casos confirmados e de atendimentos da rede de urgência e emergência, têm apresentado tendência de queda sustentada há algumas semanas na capital.

Para o secretário Daniel Soranz, os números são muito importantes porque mostram que as vacinas, de fato, fazem efeito, salvam vidas e protegem as pessoas. Ele destacou que o resultado não era esperado para um mês de inverno, em que normalmente tem um aumento de casos de gripe. 

“A gente estava esperando na prefeitura do Rio de Janeiro um aumento de três vezes nos casos de internação do que aconteceu neste mês de julho. Então, é uma ótima notícia. A gente ainda tem pessoas internadas gravemente por covid. Não é momento de relaxar, mas essa é uma ótima notícia e mostra que a vacina funciona e contrariou as nossas previsões”, disse Soranz.

Medidas de proteção

As medidas de proteção à vida estabelecidas no decreto publicado em 27 de maio de 2021 seguem prorrogadas até 26 de julho, mantendo o nível de alerta para cada região. As operações de fiscalização do cumprimento das medidas são feitas pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), a Guarda Municipal do Rio de Janeiro e o Instituto Municipal de Vigilância Sanitária, Vigilância de Zoonoses e de Inspeção Agropecuária (Ivisa-Rio) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

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