Publicado 30 de Maio de 2021 - 11h13

Por Da Redação com agências

Manifestação no Largo do Rosário, e Campinas: em todo o país, milhares de pessoas foram às ruas para pedir o impeachment de Bolsonaro e exigir vacinação em massa

Diogo Zacarias/Correio Popular

Manifestação no Largo do Rosário, e Campinas: em todo o país, milhares de pessoas foram às ruas para pedir o impeachment de Bolsonaro e exigir vacinação em massa

Dezenas de milhares de pessoas se reuniram neste sábado, 29, em mais de 200 cidades, incluindo capitais no exterior, como Londres e Berlim, em protestos contra o presidente Jair Bolsonaro e a atuação do governo no combate à pandemia de covid-19. Embora os manifestantes usassem máscara, houve muita aglomeração. Os atos marcam uma nova fase na mobilização de movimentos sociais, centrais sindicais e partidos de oposição, que abandonaram o "fique em casa" para intensificar a agenda nas ruas, pregando o "protesto seguro".

Manifestação de ontem contra o presidente Jair Bolsonao reuniu um grande número de pessoas de diferentes idades no Centro de Campinas

"Ninguém queria estar na rua no meio de uma pandemia. Bolsonaro não deixa alternativa. Estamos na rua para defender vidas. Nós não vamos esperar sentados até 2022", disse Guilherme Boulos, em São Paulo. "É só o começo." A declaração do ex-candidato do PSOL à Presidência resume a intenção declarada dos opositores do governo de ampliar os protestos, apesar da pandemia. A mobilização é também uma resposta às iniciativas de Bolsonaro e seus apoiadores, que têm promovido "motocadas" e outras manifestações em defesa do governo sem nenhum tipo de cuidado, em afronta às recomendações para conter a pandemia do novo coronavírus.

Manifestação de ontem contra o presidente Jair Bolsonao reuniu um grande número de pessoas de diferentes idades no Centro de Campinas

Sem citar os protestos, Bolsonaro publicou no sábado uma foto em suas redes sociais segurando uma camiseta com os dizeres "imorrível, imbroxável, imexível".

Além de ecoar o "Fora, Bolsonaro", os atos criticaram a falta de vacina, o negacionismo em relação ao enfrentamento da covid-19 e defenderam a retomada do auxílio emergencial de R$ 600.

A organização reuniu a Frente Brasil Sem Medo, a Frente Brasil Popular, a Coalização Negra por Direitos, a União Nacional de Estudantes (UNE) e a Campanha Nacional Fora Bolsonaro, além de centrais sindicais, partidos políticos e outros grupos da sociedade civil, como o movimento Acredito, coorganizador dos atos em São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Rio Grande do Sul. A estimativa de cidades e participantes é dos organizadores, que em diversos municípios distribuíram máscaras e divulgaram recomendações de segurança em saúde, como a tarefa praticamente impossível de manter pelo menos 1 metro de distância entre as pessoas.

Manifestação de ontem contra o presidente Jair Bolsonao reuniu um grande número de pessoas de diferentes idades no Centro de Campinas

 

Violência

Os atos em geral foram pacíficos. No Recife, porém, em confronto com manifestantes, a Polícia Militar usou bombas de efeito moral, balas de borracha e spray de pimenta para dispersar a multidão. O governador Paulo Câmara (PSB) condenou o ocorrido, afastou o comandante da PM,  e ordenou a abertura de uma investigação.

Manifestantes afirmaram que a PM atacou de forma inesperada e sem nenhum motivo aparente. "A gente não estava fazendo nada. Só estava atravessando a ponte, em fila, batendo palma, algo muito tranquilo, e eles (a PM) responderam dessa forma, do nada", disse a professora Eva Marinho. Ela participava do ato desde o início, às 10h, e não ficou ferida. A PM usou spray de pimenta contra a vereadora do PT Liana Cirne, também de forma inesperada, e dentro de uma viatura, enquanto ela conversava com agentes. O comandante e os policiais envolvidos foram afastados de seus postos até a conclusão das investigações.

Desde a última segunda-feira, Pernambuco está sob um novo decreto estadual com medidas de restrição para atividades sociais e econômicas. Especialmente neste fim de semana e no seguinte, está permitido apenas o funcionamento de serviços essenciais, mas as pessoas não estão proibidas de circular.

Em São Paulo, pancadas de chuva atrapalharam os preparativos para o ato na Avenida Paulista, à tarde. Centenas de manifestantes romperam as barreiras que impediam o acesso ao vão-livre do Masp e se abrigaram lá dentro enquanto chovia. Por volta das 17h, a Paulista e vias transversais foram fechadas nos dois sentidos. Um boneco gigante de Bolsonaro como "capitão cloroquino" foi inflado pelo movimento Acredito.

Campinas tem maior manifestação na pandemia

O Centro de Campinas foi tomado, neste sábado, 29, por trabalhadores e representantes de movimentos sociais, sindicais e políticos na manhã de ontem. Com faixas, cartazes, bandeiras e gritos, todos protestavam contra o governo do presidente Jair Bolsonaro e em favor da vacinação em massa da população. Foi a maior manifestação do gênero este ano na cidade. "Nós estamos fazendo esta luta em defesa da vida, porque este governo mata mais do que o vírus. É um governo genocida, que destrói a nossa população", afirmou uma das coordenadoras do movimento, Adriana Estela, que faz parte da Central Sindical e Popular Conlutas (CSP-Conlutas).

Depois de se reunirem no Largo do Rosário, as cerca de mil e quinhentas pessoas presentes no ato - estimativa da Prefeitura - seguiram em passeada pelas avenidas Francisco Glicério, Moraes Salles, Irmã Serafina e Benjamin Constant. Para garantir a segurança e organização do movimento, policiais militares e agentes da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) fizeram bloqueio para organizar o trânsito. "Nós estamos com uma organização muito boa, garantindo distanciamento e orientando as pessoas. Além disso, estamos fornecendo máscaras. Contamos, ainda, com uma equipe de saúde. São cuidados para que possamos gritar em defesa da vida", destacou Adriana.

O pintor de carros Felipe Barroso, que mora na ocupação Joana D´Arc, fez questão de acordar cedo e participar do ato junto com esposa e a filha Kemily, de 9 anos. "Nós precisamos lutar por uma vida melhor, por moradia, por vacina para todos e contra o Bolsonaro, porque ele está acabando com o Brasil. Por isso, acho importante essa conscientização desde criança. Minha filha gosta de nos acompanhar desde os 4 anos", contou.

Manifestação de ontem contra o presidente Jair Bolsonao reuniu um grande número de pessoas de diferentes idades no Centro de Campinas

Fabiana Candido de Sousa é pesquisadora e sempre participa dos atos que têm sido promovidos durante a pandemia. Ela já sentiu a dor de perder conhecidos e amigos, situação que aumenta ainda mais a revolta dela com a atual situação do país. "Meu povo está morrendo por uma doença que já tem vacina. Tenho amigos que perderam familiares, pessoas da minha família quase morreram. Temos que lutar pela nossa vida, já que o governo não luta. O povo está indo para a rua porque o presidente é pior que o coronavírus. Ele não pode fazer este circo e achar que a gente vai engolir calado", reclamou.

Os organizadores acreditam que o ato deste domingo tenha sido o maior já organizado desde o início da pandemia, com a participação de diferentes frentes e pessoas. "A avaliação está ótima, com uma excelente receptividade da população. Este movimento é pela indignação do que estamos vivenciando no nosso país. Já havíamos organizado outros protestos, mas hoje unificamos muita gente. Então, hoje é um dia de luta mesmo, para

 Imprensa internacional destaca protestos de rua contra Bolsonaro

Os protestos promovidos neste sábado, 29, em diversas cidades do Brasil em oposição ao governo federal têm repercutido na mídia internacional. "Dezenas de milhares de brasileiros marcham para exigir o impeachament de Bolsonaro", destaca a manchete do site do jornal britânico The Guardian, por exemplo.

No texto, o veículo informa que as manifestações acontecem em mais de 200 cidades do País e são motivadas pela forma como o governo tem administrado a pandemia de covid-19. A matéria classifica como "desastrosa" a resposta de Jair Bolsonaro à crise sanitária que acarretou na morte de mais de 450 mil brasileiros até o momento.

"As manifestações de sábado, promovidas nas principais cidades do País, ocorrem no pior momento para Bolsonaro desde que assumiu o cargo em janeiro de 2019. As pesquisas sugerem uma raiva crescente com a forma como o populista de direita tem administrado a pandemia, com 57% da população apoiando seu impeachment", afirma a publicação.

Na mesma linha, o argentino La Nación, também noticia os protestos. Segundo o jornal, várias entidades de esquerda e movimentos estudantis, responsáveis pela mobilização, marcharam gritando palavras de ordem como "Fora Bolsonaro, "Bolsonaro genocida", "Vacina já" e "Fora Bolsovírus". O texto do veículo do país vizinho ressalta que desde o início da pandemia, que chegou a ser chamada de "gripezinha" por Bolsonaro, o mandatário tem criticado medidas de isolamento, promovido uso de medicamentos sem eficiência comprovada.

A agência de notícias Reuters foi mais um veículo a abordar as manifestações deste sábado. O texto destaca que os movimentos ocorrem majoritariamente de forma pacífica. No entanto, no Recife, a polícia interveio por meio do uso de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

"A maioria dos manifestantes usava máscaras e tentava respeitar os protocolos de distanciamento, mas nem sempre com sucesso, enquanto pediam por uma vacinação mais rápida em todo o País", publicou a Reuters. Além disso, relatou que em alguns protestos, como o do Rio de Janeiro, foram vistas imagens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vestindo a faixa presidencial.

Ainda em relação à mobilização na capital fluminense, a agência Al Jazeera informou, por meio de uma correspondente, que muitos manifestantes compareceram, apesar das preocupações anteriores sobre a realização de grandes protestos públicos durante a pandemia. A matéria ressalta ainda que a mobilização acontece em meio aos trabalhos da CPI da Covid. "O presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, está enfrentando uma investigação do Senado sobre a forma como seu governo está lidando com a pandemia", diz a publicação.

 

 

 

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