Publicado 26 de Maio de 2021 - 7h46

Por Agência Brasil

A Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) apresenta ao público a partir de hoje (26), às 20h, seu primeiro concerto no palco da Sala Cecília Meireles, desde o isolamento social imposto pela pandemia de covid-19. A apresentação foi gravada no último dia 20, ainda sem a presença de público, e será exibida nas redes sociais da orquestra.

“A gente está voltando aos palcos, porque a orquestra, desde o início da pandemia, estava produzindo seus conteúdos artísticos 100% remotamente, com os músicos em isolamento social, de suas casas. Mas, agora, com esse primeiro concerto, a gente voltou a reunir os músicos no palco”, disse à Agência Brasil o diretor executivo da Fundação OSB, Gregório Tavares.

Ele contou que o encontro dos artistas, depois de tanto tempo isolados, foi emocionante. “A gente ficou à flor da pele. O primeiro ensaio desse programa foi realmente um fluxo de emoções muito grande, os colegas se encontrando, tendo a oportunidade de fazer música juntos, mesmo que a gente ainda esteja sem a presença do público, porque sabemos que há uma troca muito grande. Mas o fato de os músicos estarem reunidos na sala de ensaio, de a gente poder sentir o palco, poder ouvir o som do outro, essa troca faz muita diferença para os músicos da orquestra”, afirmou Tavares.

Retomada

Como a OSB fará uma retomada gradual nos primeiros programas que serão feitos nos meses de maio e junho deste ano, a opção foi pela formação de câmara reduzida, com a presença de até cinco músicos. Gregório Tavares informou que a partir de junho, a ideia é dar um salto para um número maior de músicos no palco. “Mas, nesses primeiros programas, são quintetos. Cinco músicos reunidos no palco”. Gradativamente, o tamanho da orquestra será ampliado. “Porque a gente sabe que a pandemia ainda está aí, está bastante ativa, e as coisas precisam ser feitas com muito cuidado, para preservar os músicos, a equipe”.

No total, a OSB tem 65 músicos. Até o final do ano, a expectativa é que sejam feitas entre 35 e 40 apresentações. O diretor informou que a previsão inicial, para conseguir receber o público presencialmente, é a partir de agosto ou setembro. Tudo, porém, vai depender de definições das autoridades públicas, lembrou. “Não existe uma certeza, mas existe um planejamento para que, em agosto ou setembro, a gente volte a receber o público, mesmo que reduzido”.

Programa

Nesse primeiro concerto hoje, os músicos apresentarão obras de Luiz Alvarez Pinto e Wolfgang Amadeus Mozart, abrindo a Série Clássica Brasileira. O grupo, formado por Clovis Pereira Filho (violino), Daniel Passuni (violino), Samuel Passos (viola), André Rodrigues (viola) e Emilia Valova (violoncelo) interpreta o Quinteto para Cordas nº4 K.516, que Mozart escreveu em 1787.

Como todos os quintetos de cordas do compositor austríaco, é uma obra escrita para o que é conhecido como "quinteto com viola", uma vez que a instrumentação consiste num quarteto de cordas mais uma viola adicional. Ou seja, dois violinos, duas violas e um violoncelo. Essa é considerada uma das maiores obras de Mozart e, também, uma das mais tristes, pois tem caráter sombrio e melancólico, típico das composições mozarcianas em Sol Menor, informou a Fundação OSB.

Em seguida, será apresentada a obra Te Deum Laudamus (6 Peças Barrocas), do compositor brasileiro do século 18, o pernambucano Luiz Alvarez Pinto. Ela será interpretada pelo quinteto formado por Clovis Pereira Filho (violino), Daniel Passuni (violino), Samuel Passos (viola), Emilia Valova (violoncelo) e Rodrigo Fávaro (contrabaixo). A primeira execução moderna dessa obra ocorreu em 1968, no IV Festival de Música de Curitiba, sob a direção do Pe. Jaime Diniz.

OSB

A Orquestra Sinfônica Brasileira foi fundada em 1940 e é considerada um dos conjuntos sinfônicos mais importantes do país. Em seus 80 anos de trajetória ininterrupta, a OSB realizou mais de 5 mil concertos. Foi a primeira orquestra a realizar turnês pelo Brasil e o exterior, apresentações ao ar livre e projetos de formação de plateia. Em abril de 2021, a orquestra foi registrada como patrimônio cultural imaterial da cidade do Rio de Janeiro. 

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