O Santos enfrentou alguns problemas no início da temporada — salários atrasados, perda de algumas peças e uma surpreendente mudança na comissão técnica, mesmo com o time invicto —, mas sua presença na final do Campeonato Paulista está longe de ser uma surpresa. Afinal, desde 2009 que o Peixe marca presença na decisão. Surpresa teremos quando essa incrível sequência que já chega a sete anos for interrompida. O caso do Palmeiras é diferente. Ausente da final do Paulistão desde 2008, o Porco teve uma semifinal dificílima. Jogou contra o Corinthians — único invicto e time de melhor campanha — na Arena de Itaquera, palco no qual o rival foi derrotado apenas na partida de inauguração. O Palmeiras, porém, conseguiu sair da Arena Corinthians na condição de finalista. Foi uma das melhores atuações do time no ano. Começou melhor, abriu o placar e então viveu seu pior momento. Deixou de agredir e permitiu que o Corinthians assumisse o controle da partida. No intervalo, o placar já mostrava 2 a 1 para o Timão. O Palmeiras, porém, teve força para reagir. Empatou o jogo, levou a decisão para os pênaltis e esteve muito próximo de ser derrotado. Mas uma defesa espetacular de Fernando Prass mudou o destino que parecia certo quando Elias ajeitou a bola para cobrar o quinto pênalti. Prass defendeu esse e pouco depois pegou também a cobrança de Petros. O Palmeiras estava de volta à grande decisão. E não é por acaso que o Palmeiras volta a disputar o título em 2015. A atual temporada marca o início de uma nova fase do clube, que depois do Paulistão de 2008 só ganhou a Copa do Brasil de 2013. O número de finais e títulos vai aumentar consideravelmente a partir de agora em virtude do Allianz Parque. A arena do Palmeiras, de longe a melhor da América do Sul, já está provocando mudanças radicais na vida do clube. Com 115.173 sócios-torcedores, o clube tem recursos que eram inimagináveis há alguns meses. A renda do primeiro jogo da final, no Allianz Parque, pode chegar a R$ 7 milhões. É um outro Palmeiras. O presidente Paulo Nobre, que errou ao apostar na volta de Brunoro em sua primeira gestão, teve a capacidade de detectar seus erros e montou um elenco de qualidade muito maior. O Palmeiras poderia ter sido eliminado por Elias. O Palmeiras pode perder o título para o Santos. Mas é certo que conquistas estão a caminho. O clube vive um período de transformação e seu crescimento será tão rápido como foi o de seu número de sócios-torcedores. Os clubes que ainda não dão o devido valor a esse tipo de projeto vão ficar para trás.