GUSTAVO MAZZOLA

A televisão feita em Campinas

Gustavo Mazzola
29/10/2014 às 05:00.
Atualizado em 24/04/2022 às 02:47
IG- Gustavo Mazzola (CEDOC)

IG- Gustavo Mazzola (CEDOC)

!DOCTYPE html> A nossa assessoria, na empresa, perseguia alguns compromissos. Um deles — e o que mais nos motivava — era o estreitamento de relações com os meios de comunicação, especialmente os mais novos.   Assim, um dia, ficamos sabendo que se construía em terrenos da Rua Regina Nogueira, no bairro São Gabriel, em Campinas, uma nova estação de televisão. Algumas perguntas junto às próprias obras, e remeteram-nos aos escritórios provisórios da nova empresa, em São Paulo, que vivia em clima de muito trabalho em meio a plantas de estúdios e de áreas de produção. Foi de onde veio a confirmação: iria nascer mesmo uma nova televisão em Campinas.   Algum tempo depois, voltamos às obras, e encontramos quase tudo pronto. “As câmeras já estão alinhadas”, dizia Scheiner, o diretor de engenharia.   Assim, no dia 1º de outubro de 1979, finalmente, a maior novidade do ano na cidade mostrou-se brilhante nos vídeos campineiros. Estava no ar a 'TV Campinas'. Sob a orientação segura de Romeu Santini, seu primeiro diretor de jornalismo, o pessoal da equipe pioneira, apreensivo, acompanhava as primeiras imagens que fluíam no aparelho de TV instalado na sala da redação: Odair Alonso, Wilson José, Abrucez, Mara Rúbia, Sibinelli, Oliveira Andrade, Luiz Ceará, Jane, Sílvia, Lúcia e Paulo Roberto. No estúdio, Calixto, Bartholomeu, Ivan, José Carlos, Leonel e Barba. Vieram, ao longo dos anos, outras participações também importantes, mas, é claro, não daria para cabê-las todas aqui.   A 'TV Campinas' já começava retransmitindo a 'Rede Globo', e vinha com uma proposta que iria surpreender a cidade. Até então, tudo o que acontecia por aqui era contado à população no dia seguinte, quando os jornais chegassem às bancas. A televisão era o que se recebia das grandes redes, e o rádio, exceção ao noticiário esportivo, seguia discreto, preparando-se para uma arrancada no jornalismo até chegar à forma atuante de hoje. Com a chegada do Jornal das Sete, o primeiro programa da nova emissora, a situação tornava-se outra: Pedro Zeballos, seu primeiro apresentador, chamava matérias previamente gravadas, mostrando, já no começo da noite, tudo o que acontecera de importante durante todo o dia na cidade.   Atenção! Embora a 'TV Campinas' se apresentasse como uma novidade na cidade, essa não era a primeira vez que se trabalhava aqui num projeto de jornalismo local de televisão: doze anos antes, em novembro de 1967, os empresários Júlio Guerreiro e Durval Dias Arruda haviam sonhado com a instalação da 'TV Andorinha' que, além de retransmitir a 'TV Excelsior', de São Paulo, iria oferecer à cidade uma programação própria, tudo isso com uma mínima infraestrutura técnica nos fundos de uma casa no bairro Castelo. Quatro anos depois da 'TV Campinas'>, em 1983, outra novidade: a 'TV Princesa', amparada pela grade da 'Record', com poucos recursos e muito esforço, se aventurava “ao vivo” no campo jornalístico, com programas noticiosos simplórios, transmissões esportivas e até um programa de automobilismo, inédito no Interior. Atualmente, como 'TVB', depois algumas mudanças de rede, integra-se, de novo, à 'Record', instalando-se em estúdios modernos no bairro São Gabriel.   Em Campinas, a Rede Bandeirantes começou em 1990, em estúdios próprios no alto do Castelo. Em 2002, já como 'Band Campinas', inaugurou um completo centro de comunicações, também, no bairro São Gabriel. Marcou presença por aqui, ainda, no começo da década de 90, a 'TV FR', de Fausto Rocha, mudada depois para 'TV Tathi' agregada à 'Rede Manchete'. Hoje, somam-se às emissoras que operam com programações locais, aqui e na região, a 'VTV/SBT' de Santos, mas com “entradas” em Campinas; a 'Rede Século 21', em Valinhos; o 'CNC', 'Canal Universitário Campinas'; o 'Canal 8', de Indaiatuba, e a TV Correio Popular, dentro do site do Correio Popular. Mas tudo não ficou somente nesse pioneirismo: ao longo dos anos, a 'TV Campinas', já com nova denominação — 'EPTV' —, expandiu-se para uma rede regional dentro dos Estados de São Paulo e Minas. Ela e as outras geradoras instaladas em Campinas diversificaram seu trabalho nas áreas esportivas, em produções artísticas e culturais de um modo geral. Modernizaram-se no jornalismo, digitalizaram seus equipamentos. Aventuraram-se para outros horizontes: hoje, 35 anos depois do início em 1979, quando vemos no vídeo da 'EPTV' um pássaro desconhecido empreendendo um fantástico voo quase parado no ar, sem perceber que, nesse momento de deslumbrante lirismo no meio da floresta, é espreitado pela equipe do “Terra da Gente”, dirigido por Ciro Porto, constatamos uma realidade: essa é a televisão feita em Campinas.

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