MILENE MORETO

A reação

Milene Moreto
milene@rac.com.br
25/06/2013 às 05:00.
Atualizado em 25/04/2022 às 11:45

A onda de protestos em Campinas fez com que o prefeito Jonas Donizette (PSB) puxasse as orelhas de seu secretariado. Em reunião realizada ontem, o peessebista cobrou ações de cada pasta e, principalmente, das que lidam com aprovações de projetos imobiliários, como Planejamento, Urbanismo e Meio Ambiente. O chefe do Executivo quer gerar empregos e incentivar investimentos. Desde que Jonas assumiu a Prefeitura, essa foi a quarta reunião com todos os seus secretários.

Sentindo na pele

Diferentemente do que ocorreu na Prefeitura, quando o Palácio dos Jequitibás foi esvaziado antes do confronto entre os manifestantes e a polícia, na Câmara, a situação foi de maior apreensão ontem, uma vez que, durante as sessões, as reuniões são abertas. O jeito foi combinar de esvaziar o plenário durante conflitos e limitar a entrada de ativistas. Mesmo assim, teve parlamentar que não quis pagar para ver e deixou rapidinho o plenário no início do confronto.

O jogo virou

Antes restritos ao prédio da Prefeitura, os manifestantes começam agora a cobrar dos vereadores atitudes políticas e a protestar contra a corrupção e outras mazelas que assolam o poder público. Com uma pauta em mãos, os ativistas avançaram no diálogo e prometem cobrar item por item dos veradores. Se qualquer uma das nove reivindicações não for atendida em 96 horas, já será motivo mais do que suficiente para que eles voltem a ocupar a frente da Câmara. O recado foi dado ontem.

Um refresco

Parte dos vereadores levantou as mãos para o céu ao saber que um verdadeiro pé d’água começou a cair na Câmara bem no início do conflito entre os que protestavam e a Guarda Municipal, o que acalmou os ânimos.

Bate-boca

Quando a situação parecia sob controle, um grupo começou a depredar os carros da imprensa que estavam estacionados próximos à entrada do plenário. A Guarda reagiu. O vereador Pedro Tourinho (PT) interferiu e passou a criticar a atitude da GM, que revidou ao dizer para o vereador cuidar do trabalho dele, que o da Guarda cuidavam eles. Um GM ainda chegou a questionar se o vereador pagaria pelos danos causados aos veículos.

Dia de festa?

Durante protesto no Centro de Saúde do Jardim Santa Lúcia para reivindicar segurança e melhorias, o diretor administrativo da Secretaria de Saúde de Campinas, Marcos Ferreira, justificou a ausência do secretário da pasta, Carmino de Souza, e disse que o chefe do setor estaria hoje no local para dialogar sobre as melhorias. Tudo ia bem até que Ferreira resolveu soltar a máxima: “Amanhã (hoje), vamos receber o secretário com festa”, disse. O diretor acabou vaiado pelos 150 manifestantes. Não era o momento de pedir festa...

Novembro...

Os dados da planilha de custos do transporte público entregues na Câmara ontem, com dois dias de atraso conforme o combinado, já geraram polêmica. Isso porque as informações são referentes a novembro do ano passado. Os parlamentares prometem passar um pente-fino no documento hoje.

Golpe de mestre?

Ao propor um plebiscito para promover a reforma política, a presidente da República, Dilma Rousseff, dividiu responsabilidades com o Congresso sobre a cobrança da população de renovação, mudanças e melhorias no sistema político, o que tem movimentado os protestos. A oposição não gostou das falas da presidente, que se reuniu ontem com prefeitos das capitais e governadores, e alega que Dilma tentou desviar o foco e não deu respostas aos brasileiros que pleiteiam a melhora na qualidade de vida. Se é para dividir poder e cargos, tem quem acredite que a crise também deve ser dividida.

Colaborou Fabiana Marchezi/AAN

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