EDITORIAL

A morte da razão nas ruas invadidas

12/02/2014 às 05:00.
Atualizado em 26/04/2022 às 22:20

As manifestações públicas são um forte elemento da democracia, instrumento ideal para que cada parcela da sociedade apresente suas reivindicações, defenda seus propósitos, exponha suas dificuldades, proponha suas ideias. As ocupações das ruas e espaços públicos têm papel de destaque na história política brasileira, sendo fundamentais para as grandes transformações que definiram os caminhos da nação, seja para o enfrentamento de períodos de exceção, para resguardar direitos democráticos e até mesmo derrubar presidentes.Há tempos que se discute a atuação de um grupo de manifestantes que, inicialmente, se identificava como de inspiração anarquista, os 1>black blocs, e que aos poucos vai se revelando de extrema intolerância, de agressividade gratuita, sem trazer à discussão qualquer ideia, proposta ou projeto, apenas dedicando-se ao protesto barato, grosseiro, invasivo e inconveniente. Suas intervenções sempre causaram repulsa por incutirem a violência verbal, a ofensa e a falta de limites de civilidade. Aos poucos, revelaram-se intransigentes, vazios e despiram qualquer veste política para transformarem-se em meros baderneiros oportunistas, vendidos a propósitos escusos.O limite da ação destes bandidos chega agora, com a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade, morto por um rojão disparado por um bandido mascarado, em meio ao que deveria ser um protesto contra as tarifas de ônibus. Não se pode mais tratar o caso das depredações, agressões e atos violentos como uma manifestação política, há muito que se transformou em caso de polícia, de bandidagem explícita, além do limite da lei. Não se pode admitir que as autoridades de segurança não consigam colocar um ponto final na violência que toma as ruas, sobressaltando as pessoas, depredando patrimônios, levantando uma grave barreira à livre manifestação dos que são intimidados pela intervenção destes vândalos travestidos de pseudoanarquistas.A morte de um profissional de forma tão estúpida e sem sentido representa um atentado contra a sociedade, um tapa na liberdade, uma tentativa de impor a intolerância para derrubar valores, ameaçar indivíduos e pregar a violência como forma de intimidação. Esses bandidos precisam ser identificados, autuados, presos e contidos. O Brasil precisa de transformações sérias, contundentes e morais, e isso começa pelo banimento definitivo de bandidos das ruas, que precisam ser novamente ocupadas por ideias, reivindicações, sentimento cívico, civilidade e desejo de liberdade.

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