Publicado 03/05/2021 - 16h10 - Atualizado 03/05/2021 - 16h10

Por Correio Popular


Um ano longe das salas de aula, estudantes da rede básica de ensino, especialmente os mais vulneráveis, sofrem os impactos de uma das maiores rupturas no progresso escolar, causadas por um agente externo, invisível e mortal: um vírus. Educadores de todo o país terão a árdua missão de avaliar a extensão dos prejuízos que a pandemia causou no aprendizado dos alunos.
O secretário de Educação de Campinas, José Tadeu Jorge, concedeu uma entrevista exclusiva, publicada na edição de hoje do nosso jornal. Nela, ele traça o cenário de incertezas que a pandemia traz para o setor educacional e explica a complexidade de lidar com a questão no pós-pandemia. Conforme suas palavras, percebe-se que o maior desafio será medir a real gravidade do impacto da pandemia no aprendizado escolar de cada aluno.
A experiência do ensino remoto, como ferramenta alternativa para manter algum nível de atividade pedagógica durante a pandemia, foi bastante insatisfatória, dada a realidade sócioeconômica da maioria das crianças.
Muitas moram em bairros periféricos, onde o acesso à internet e o sinal de telefonia são deficientes. Apesar das enormes dificuldades, o secretário da Educação mostrou-se otimista com o resultado. Ele atribui isto à qualidade do corpo docente da rede básica de ensino municipal, que não mediu esforços para superar as barreiras encontradas durante este período de enfrentamento da pandemia e isolamento social.
As inúmeras tentativas de retomar as aulas presenciais desde o início do ano foram frustradas pelo surgimento da segunda onda da covid-19. Muitas são as críticas daqueles que condenam o retorno, no momento em que os índices de controle da doença ainda estão elevados. No entanto, há que se buscar um consenso sobre a questão, de modo que não se agrave ainda mais o drama vivido pelas crianças e adolescentes.
Como afirmou o secretário em sua entrevista, trata-se de uma situação jamais vivida antes e que não permite estabelecer qualquer tipo de comparação. Sendo assim, todo o conhecimento necessário para construir as pontes e saídas para a crise, terá que ser edificado do absoluto zero. Tendo a escola como um espaço privilegiado de interação social, a expectativa é que, em um cenário pós-pandemia, tanto as relações como os próprios espaços sejam reinventados. Professores e alunos devem valorizar de maneira mais intensa uns aos outros, assim como esperamos que a parceria entre família e escola seja mais efetiva.

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