Publicado 04/05/2021 - 09h37 - Atualizado 04/05/2021 - 09h38

Por Erick Julio/Correio Popular


A Comissão Especial de Estudos, criada na Câmara de Campinas, para analisar os impactos econômicos e sociais da pandemia do coronavírus, fez uma nova reunião nesta segunda-feira, 3, que contou com a participação do secretário de Esportes, Fernando Vanin. Durante sua exposição ele traçou um panorama da atual situação das entidades envolvidas nas práticas esportivas na cidade e falou da expectativa da secretaria para a retomada dos esportes na cidade.
Segundo o secretário, as paralisações e fechamentos causados pela pandemia de covid-19 trouxeram "perdas enormes" para os clubes, associações e empresas que integram o setor esportivo de Campinas. "A maioria dos esportes é de contato e, com isso, as atividades tiveram que ser suspensas com o isolamento. A paralisação não prejudicou apenas a prática esportiva, mas também trouxe consequências paras as empresas fomentadoras do esporte, como as de eventos. Muitas fecharam as portas", explica.
Ainda de acordo com Vanin, a paralisação das atividades esportivas na cidade impactou diretamente outros setores de Campinas. "Quando pensamos na questão dos eventos esportivos, que geram uma grande renda para cidade seja de ISS [Imposto Sobre Serviço] ou alvarás, há toda uma cadeia econômica, que inclui as taxas municipais como as da Emdec para fechar uma rua, ou da Setec na questão de uso do solo. Há ainda o impacto para rede hoteleira, que já enfrenta problemas econômicos com a pandemia", diz.
Também presente na reunião da Câmara, o presidente da Associação das Entidades Socioesportivas de Campina (Apesec), Eduardo Roberto Antonelli de Moraes, disse que os clubes enfrentam dificuldades financeiras por conta da pandemia. Ele aponta que as entidades dependem da "boa vontade" dos associados que seguiram pagando as contribuições apesar das restrições do isolamento.
"Com a pandemia, os clubes tiveram que fechar suas portas e não puderam receber seu corpo associativo. Os funcionários e as despesas continuaram", destaca Moraes, que criticou a falta de apoio do governo de São Paulo. "O governo do Estado não fala dos clubes quando o assunto é o esporte e só fala das academias. Parece que a gente não existe. Eu falo para os clubes que não vai acontecer um subsídio do poder público e por isso temos que fazer reservas técnicas", aponta Moraes, que também explicou que a importância da população seguir os protocolos sanitários.
"Estamos estudando como preceder daqui para frente. Aos poucos estamos voltando dentro do que for autorizado pelos protocolos. É importante que o associado entenda que o dirigente do clube está ali para cumprir a legislação, quando ele cobra alguém pelo uso da máscara, por exemplo. Precisamos da conscientização das pessoas", defende.
Para Jefferson Novaes, presidente Liga Paulista de Futsal e CEO do Pulo Futsal, a paralisação do esporte trouxe problemas sociais para famílias de atletas de Campinas. Ele explica que os jogadores do Pulo Futsal tiveram seus rendimentos reduzidos por conta dos impactos da pandemia. "Tivemos que cortar 30% dos salários dos atletas para nos manter. São valores que fizeram muita diferença, pois muitos deles pagam aluguel ou o seu financiamento do Minha Casa, Minha Vida, por exemplo. Meu patrocinador é um shopping, que teve muitos problemas com os fechamentos. Felizmente conseguimos sentar e otimizar o negócio para não passarmos fome. Eu parti, inclusive, para a venda de camisas dos clubes de porta em porta", aponta Novaes.
Segundo o CEO do Futsal, a situação dos atletas só não foi pior graças ao trabalho de formação desenvolvido no clube. "Os atletas profissionais vivem do esporte. Por isso, nós priorizamos a formação dessas pessoas. Eu tenho um atleta que mora em uma ocupação hoje. Entrou no Pulo com 12 anos de idade e hoje está no segundo ano da faculdade de administração, por conta da parceria que temos com uma faculdade", exalta.
Novaes também destacou o papel do Fundo de Investimentos Esportivos de Campinas (Fiec), criado pela Lei Municipal nº 12.352/2005, e que é destinado a fomentar projetos esportivos e paradesportivos desenvolvidos por Organizações da Sociedade Civil (OSC's) com sede no município de Campinas. De acordo com o CEO do Pulo Futsal, o Fiec foi "fundamental para a sobrevivência de muitas entidades".
Questionado pelo o vereador Luiz Rossini (PV), que preside a comissão, o secretário de Esportes explicou que o Fiec é custeado pelo tesouro municipal e remanejou R$ 420 mil para projetos de nove entidades em 2020. Ainda segundo Vanin, este ano o segundo edital do fundo vai movimentar cerca de R$ 1,5 milhão para 21 entidades. "O objetivo é atingir o valor de R$ 3 milhões, valor referencial que está na lei", aponta.
Ao fim da reunião, o secretário também falou da expectativa para os próximos meses, em relação a uma possível retomada integral da prática esportiva na cidade. De acordo com ele, a secretaria segue as determinações do Plano São Paulo e do Departamento em Vigilância em Saúde (Devisa). "Temos feito reuniões para alimentar a Devisa com as informações da cidade, pontuando situações de liberação na medida do possível. A gente tem trabalhado na secretaria com um protocolo de retomada da prática dos esportes nas praças, por enquanto, só de forma individualizada. Nossa expectativa é que entre junho e julho seja o momento de uma retomada, mas isso vai depender se haverá uma terceira onda da covid-19", explica Vanin.

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