Publicado 04/05/2021 - 08h56 - Atualizado 04/05/2021 - 12h56

Por Gilson Rei/Correio Popular

Escolas da Prefeitura têm 2 casos de covid e 4 suspeitos

Kamá Ribeiro/ Correio Popular

Escolas da Prefeitura têm 2 casos de covid e 4 suspeitos

Duas confirmações de covid-19 e mais quatro casos suspeitos da doença em funcionárias da rede municipal de ensino de Campinas foram identificados em uma semana de aulas presenciais no município. A Prefeitura afastou imediatamente as servidoras, assim que apresentaram sintomas de suspeita de covid-19. A Administração ressaltou que não há risco destas pessoas terem contaminado outros trabalhadores e estudantes nas escolas.
Ontem, uma professora e uma servente de limpeza testaram positivo para covid-19. Estão com sintomas e com suspeita da doença mais uma professora, duas serventes de limpeza e uma zeladora. Estes casos aguardam resultados de exames. Segundo a Secretaria de Educação, todas tinham sido afastadas na primeira semana de aula e são profissionais que atuam nas regiões Sul, Norte e Leste da cidade.
A Pasta informou também que todos os casos suspeitos são automaticamente reportados aos serviços de saúde competentes para o acompanhamento e adoção das medidas preconizadas. Nesses casos, a equipe da Vigilância em Saúde faz a investigação para definir se houve ou não infecção no ambiente escolar. Para prevenir e minimizar os riscos de transmissão do coronavírus, a Secretaria de Educação adotou protocolos recomendados pelas autoridades sanitárias. Por meio da assessoria de imprensa, a Prefeitura informou que "as escolas passam por processo de higienização, a cada troca de turno. As mochilas dos alunos são higienizadas e a temperatura corporal de alunos e funcionários é aferida".
A nota continua: "Também está incorporada a lavagem das mãos e higienização com álcool gel; uso de máscaras e face shield; e as carteiras nas salas de aulas, assim como os lugares nos refeitórios são disponibilizados com um distanciamento de um metro e meio. As escolas seguem a capacidade de até 35% do total de alunos matriculados, conforme determinado pelo Plano São Paulo".
O afastamento de uma funcionária, adotado pela Prefeitura, foi constatado na quarta-feira da semana passada, em fiscalização do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas. A entidade que anexou o fato ao processo que move desde o ano passado na Justiça para barrar a volta das aulas presenciais. Além disso, a entidade encaminhou também a situação para o Ministério Público do Trabalho (MPT) da 15º Região.
Por meio de uma nota oficial, o sindicato disse que "o caso expõe a irresponsabilidade da Prefeitura de Campinas da retomada das aulas no meio da pandemia, sem a vacinação (primeira e segunda doses) de todos os trabalhadores e a testagem em massa". A nota destaca: "O sindicato vem denunciando o descaso do governo municipal em colocar em risco a vida dos trabalhadores, estudantes, famílias e comunidade escolar".
As críticas ao retorno às aulas presenciais continuam: "A primeira suspeita de caso de covid-19 em menos de uma semana de retomada das aulas presenciais mostra o erro do governo municipal. O sindicato é contra a volta das aulas presenciais no pico da pandemia e sem a tomada de todos os cuidados para evitar a contaminação pelo novo coronavírus".
Volta gradual
A volta das aulas presenciais realizada ontem por alunos entre 3 anos e idade inferior a 6 anos, em 130 escolas de educação infantil da rede municipal de Campinas, foi com aproximadamente 15% dos matriculados. O número exato de estudantes não foi revelado pela Secretaria de Educação, porém, cada escola recebeu 15 alunos, em média, acompanhados por algum familiar. Neste primeiro dia, houve apresentação da escola, explicação de como serão as aulas, entrega de livros e de kits de proteção contra a covid-19 e informações de como estão sendo aplicados os protocolos.
O retorno das aulas presenciais na educação infantil nesta faixa etária será gradual porque as escolas programaram aulas presenciais por grupos de alunos durante a semana, estabelecendo um revezamento com restrição de até 35% da capacidade e aplicação dos protocolos, até que haja vacinação em massa e flexibilização durante a pandemia. Além do agrupamento de ontem, crianças entre 1 ano e abaixo de 3 anos, vão retornar dia 10 de maio. Crianças com menos de 1 ano retornarão dia 17 de maio. O retorno é opcional.
O Centro de Educação Infantil Presidente Campos Sales, na Vila Campos Sales, por exemplo, programou o retorno das aulas presenciais, organizando a visita dos pais com os alunos em grupos pequenos. Ao todo, a escola tem 260 alunos matriculados e apenas dez famílias foram agendadas para o período da manhã. Ana Lúcia de Melo foi uma das mães que levou seu filho, Vinícius, de 4 anos, para ter o primeiro contato com a escola da Vila Campos Sales. Quanto ao retorno às aulas presenciais, Ana Lúcia disse que gostaria de ter uma volta apenas com a vacinação em massa, porém ponderou que ela não tem outra opção neste momento. "Eu trabalho e não tenho condições para pagar uma pessoa cuidar do meu filho. O ideal seria ter a vacinação em massa para a família ficar mais tranquila".
As visitas programadas no início das aulas presenciais foram aplicadas também no Centro Infantil Professor Hilário Pereira Magro Júnior, na Vila Marieta. A mãe Adânia Fonseca Jardim, levou o filho David, de 5 anos, à escola e aprovou o retorno e o formato programado para as aulas. O filho dela vai ter aulas nesta semana e vai ficar em casa duas semanas, dentro de um processo de revezamento, voltando na quarta semana do mês. "Meu filho estudou nesta escola no ano passado e retornou neste ano. Esta volta é importantíssima. A gente mora em apartamento e o David já estava necessitando voltar às aulas, ter um convívio social".
A Secretaria de Educação reforçou, por meio de sua assessoria, que cada escola de Educação Infantil fez um planejamento para o retorno às aulas presenciais, conforme o número de alunos e estrutura, mantendo as diretrizes de manter aulas com no máximo 35% da capacidade de alunos. O protocolo sanitário da Prefeitura estabelece que cada aluno receba um kit com álcool em gel individual e quatro máscaras não descartáveis. Já os professores, recebem o protetor facial (face shield), além das máscaras.
As aulas presenciais na rede municipal de ensino estavam suspensas desde o final de março do ano passado e reabriram dia 26 de abril passado, com os alunos do Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos (EJA), ensino profissionalizante e de qualificação

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Gilson Rei/Correio Popular