Publicado 03/05/2021 - 11h58 - Atualizado 03/05/2021 - 12h51

Por Edson Silva/Correio Popular

O tenente Leonardo Simões mostra as peças de metal dos equipamentos

Kamá Ribeiro/ Correio Popular

O tenente Leonardo Simões mostra as peças de metal dos equipamentos

Os casos de furtos - normalmente crimes chamados de menor potencial ofensivo - não apenas dão prejuízos materiais às vítimas, como também, dependendo do material subtraído pelos ladrões, trazem risco de vida e devem ser tratados com o rigor exigido pela situação, como é o caso das peças de metal retiradas dos equipamentos de combate a incêndio em Campinas.
O alerta vem do tenente do 7º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Campinas, Leonardo Simões, ao discorrer sobre a situação de furtos de peças de metal de equipamentos de combate a incêndio de empresas e até de condomínios residenciais.
O oficial não acredita ser comum, mas não descarta a possibilidade de alguns condôminos praticarem alguns dos furtos ou danos, sem pensar em seu próprio risco de vida, como no caso de uma situação de emergência em que tais equipamentos não possam ser utilizados num início de incêndio por estarem danificados. E também no caso de incêndio de maior proporção, em que o Corpo de Bombeiros não consegue acoplar equipamentos devido ao sistema de hidrantes estar danificado.
“O prejuízo mais grave é óbvio: o risco de vítimas numa situação de incêndio; e, é claro, o prejuízo financeiro, digamos duplo, para empresas que fazem manutenções e vistorias desses equipamentos, cujas peças não são baratas”, explicou o oficial dos Bombeiros.
Segundo ele, os imóveis comerciais, industriais e residências não são liberados para uso sem Autos de Vistoria do Corpo de Bombeiros, documentação que não pode ser expedida se forem encontrados danos em equipamentos internos ou externos de prevenção e combate a incêndios.
Para o tenente, é preciso muita atenção dos responsáveis pelos condomínios e empresas em relação aos furtos, normalmente praticados por pessoas externas, mas que, de alguma forma, têm ou tiveram acesso aos prédios.
Os criminosos geralmente são levados pela ganância ilusória de conseguir algum dinheiro extra rápido, achando que estão diante de metais valiosos, quando, na verdade, as peças, muitas vezes, são de latão, vendidas a preços bem menores que o valor de custo para algum receptador de sucatas.
“Tivemos exemplo recente, em que policiais civis de Campinas esclareceram furtos desse tipo na Unicamp, detendo prestadores de serviços que tinham acesso ao local e, posteriormente, prendendo em flagrante dois acusados de receptação”, comentou o tenente, parabenizando um trabalho feito no último dia 26, após uma investigação de equipes da 1ª Delegacia de Investigações Gerais (Dig)/da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Campinas.
Para o tenente, o caso de furto em uma instituição pública do porte da Unicamp, que é uma cidade universitária, repleta de edificações e complexos, como o hospitalar, frequentadas por dezenas de milhares de pessoas (entre funcionários, alunos, pacientes e visitantes), pode resultar em uma tragédia numa eventual necessidade de usar equipamentos contra incêndio e eles estarem danificados ou inutilizados.
Ele ressalta ainda a importância das constantes vistorias nos locais, e casos assim mostram que alguns tipos de furtos podem ser de extremo perigo para vidas e para a segurança pública em geral.

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Edson Silva/Correio Popular