Publicado 01 de Maio de 2021 - 17h43

Por Edson Silva/ Correio Popular

Policiais militares do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baeo) terminaram com um sequestro relâmpago, com quatro vítimas, que teve tiroteio e morte de dois criminosos na região do Jardim Campo Belo, no distrito do Ouro Verde em Campinas

Kamá Ribeiro/ Correio Popular

Policiais militares do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baeo) terminaram com um sequestro relâmpago, com quatro vítimas, que teve tiroteio e morte de dois criminosos na região do Jardim Campo Belo, no distrito do Ouro Verde em Campinas

O número de assassinatos em Campinas caiu 33,3% no período de janeiro a março deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Entretanto, pelo segundo ano consecutivo, nesse mesmo período, áreas de dois dos 13 Distritos Policiais da cidade respondem pelos maiores índices de homicídios, com seis assassinatos a cada 10 registrados (64%) em Campinas no ano passado, e cinco de cada 10 casos em (52,3%) este ano.

As áreas mais violentas nos primeiros trimestres de 2021 e do ano passado são também as mais populosas da cidade, onde moram mais da metade dos 1,2 milhão dos campineiros, distritos do Ouro Verde e do Campo Grande, atendidos, respectivamente, pelo 9º Distrito Policial (Jardim Aeroporto) e o 11º DP (Jardim Ipaussurama). Este ano, cinco moradores das duas regiões foram vítimas de execuções brutais, possivelmente resultantes de acertos de contas com os chamados “tribunais do crime”.

Quatro dos assassinatos ocorreram em fevereiro na região de Jundiaí, onde os corpos foram encontrados em duas valas clandestinas em uma fazenda de Jarinu, a cerca de 50 quilômetros de Campinas. Nas covas havia uma quinta vítima, ainda não reconhecida, as demais, segundo a polícia, moravam no Jardim Florence e no Jardim Satélite Íris, bairros do distrito do Campo Grande.

Os quatro homens foram sequestrados no mesmo dia e levados para uma comunidade em Jundiaí, onde teriam passado por um “julgamento”, realizado por criminosos, antes de passarem por torturas e serem executados barbaramente.

Uma das vítimas teve as mãos amputadas e foi decapitada. Pelo menos duas das famílias dos desaparecidos receberam por redes sociais fotos chocantes das vítimas. Os corpos seriam encontrados por acaso, após um mês, em valas em Jarinu.

As investigações seguem com policiais civis da Delegacia de Investigações Gerais (Dig) de Jundiaí, região onde os corpos foram localizados e da 3ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa( DHPP), da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Campinas, cidade onde as vítimas desapareceram.

A 3ª DHPP de Campinas investiga ainda, sem que o corpo tenha sido encontrado, uma morte brutal ocorrida em janeiro e também atribuída a um “tribunal do crime”, que contou com a participação de ao menos quatro homens ligados a facções criminosas - dois deles já presos à disposição da Justiça por crimes de tráfico de drogas e roubo.

A polícia de Campinas tomou conhecimento deste crime mediante vídeo vazado nas redes sociais, em que a vítima, um morador do Distrito Industrial de Campinas (Dic 3) aparece sendo executado friamente com golpes de picareta na cabeça, num local não identificado, aparentemente, uma chácara. O homem, de 45 anos, supostamente acusado de abuso sexual contra a neta de quatro anos, teria ficado quase três dias sequestrado pelos criminosos, passando por torturas, até ser obrigada a cavar a própria cova para receber a “sentença de morte”.

Não está descartada a hipótese de que mais criminosos tenham assistido virtualmente ao “julgamento” e consequente execução. A polícia investiga se em certas regiões da cidade membros de organizações criminosas agem como “xerifes”, ocupando o espaço oficial de poderes públicos e fazendo à revelia suas próprias leis reportando-se aos líderes de suas respectivas facções.

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Edson Silva/ Correio Popular