Publicado 01/05/2021 - 14h57 - Atualizado 01/05/2021 - 14h57

Por Gilson Rei/ Correio Popular

Camareira arruma a cama de quarto do Hotel Vitória em Campinas: índices de ocupação nos hotéis da cidade estavam em um patamar de 70% antes do coronavírus, com oito mil eventos realizados em 2019

Kamá Ribeiro/ Correio Popular

Camareira arruma a cama de quarto do Hotel Vitória em Campinas: índices de ocupação nos hotéis da cidade estavam em um patamar de 70% antes do coronavírus, com oito mil eventos realizados em 2019

O setor de hotelaria e eventos de negócios em Campinas está com 10% de ocupação mensal e agoniza na pandemia com prejuízos de R$ 455 milhões em 13 meses. Os hotéis deixaram de realizar 5,2 mil eventos no turismo de negócios, gerando a demissão de 4,5 mil profissionais da área, volume que representa 60% da mão de obra qualificada para o setor. Outro reflexo foi o fechamento de dois hotéis, que não suportaram os prejuízos e encerraram suas atividades em Campinas. Na tentativa de manter a sobrevivência dos negócios, o setor busca apoio do Poder Público.
Os dados sobre o impacto da covid na hotelaria em Campinas foram divulgados por Vanderlei Costa, presidente da regional do Convention & Visitors Bureau, organização com mais de 50 associados e que promove o turismo de negócios nos 20 municípios da RMC. Segundo Costa, os prejuízos e o desemprego poderão ser muito maiores se o levantamento considerar os 47 segmentos que atuam na prestação de serviços em turismo de negócios e convenções, incluindo gastronomia, bares, restaurantes, organizadores de eventos, entre outros.
Costa explicou que os índices de ocupação nos hotéis da cidade estavam em um patamar de 70% antes do coronavírus e Campinas recebeu pelo menos oito mil eventos em 2019, ocupando a sétima posição no ranking nacional de eventos desta modalidade no País. "Desde março do ano passado não existe mais eventos e o turismo de negócios zerou. O setor de hotelaria e eventos agoniza em Campinas e tenta ajuda do Poder Público para tentar sobreviver e evitar novas demissões e fechamento de estabelecimentos", afirmou.
O impacto negativo provocado pela pandemia, segundo Costa, abrange muitos setores ligados diretamente ao turismo de negócios e não existe uma expectativa de melhora nos próximos 18 meses. "Os representantes do setor avaliam que a retomada poderá ocorrer somente a partir de 2023", disse. "A hotelaria poderá voltar ao patamar de 2019 somente quando 70% da população estiver vacinada e, mesmo assim, haverá ainda uma espera para a recuperação da economia, que poderá ser superior a um ano. Com isso, somente a partir de 2023, o turismo de negócios poderá voltar ao que era antes da pandemia", comentou.
Atualmente, a ocupação nos hotéis de Campinas está em 10%, que corresponde a um número reduzido de hóspedes que vem para a cidade pelo turismo de lazer. Já o turismo de negócios, que é o principal atrativo para o setor, a ocupação é nula, pois não estão ocorrendo mais congressos, convenções, exposições, feiras, eventos culturais, esportivos, tecnológicos e congêneres, seminários, palestras e reuniões de negócios que lotavam os centros de convenções.
Desafogo
Eduardo Porto, gerente de marketing da rede Vitória Hotéis, disse que as cinco unidades da rede estavam com 65% de ocupação em 2019 e que durante a pandemia a ocupação caiu para 10% ao mês. "O impacto foi muito forte porque os hotéis sempre foram muito procurados para o turismo de negócios em eventos criados por empresas de Campinas e de toda a região", afirmou. "A rede manteve o quadro de 600 funcionários até junho do ano passado, mas teve que fazer o desligamento de 150. Atualmente a rede está com 380 funcionários", comparou.
Para ajustar as atividades ao quadro provocado pela pandemia, Porto disse que os funcionários atuam atualmente em sistemas diferenciados de jornada, dependendo do cargo que ocupam.
Outras medidas foram criadas na dinâmica de funcionamento dos hotéis da rede Vitória de hotéis. "Para manter as contas em dia, criamos salas híbridas para as empresas realizarem pequenas reuniões on line, com toda a estrutura necessária e instalação de equipamentos, mantendo sempre as regras sanitárias. Com isso, grupos reduzidos de empresários de Campinas e região fazem com segurança reuniões remotas de trabalho com grupos de outras cidades do País e do exterior", afirmou.
Uma ação para a rede garantir um desafogo, foi a criação de pacotes de hospedagem que não interferem nas regras de distanciamento social. "Casais e famílias podem obter pacotes de hospedagem que inclui os serviços gastronômicos do restaurante do hotel; usos exclusivos do spa, da academia e da piscina dentre outras atividades personalizadas, sem que haja aglomerações e sejam respeitadas as medidas sanitárias", disse Porto.
Eventos atraíam hóspedes para rede hoteleira
Campinas ocupou a quinta colocação, em 2017, como o município brasileiro que mais recebeu eventos e congressos internacionais. A posição de destaque foi no ranking anual da International Congress and Convention Association (ICCA), que classifica destinos de todo o mundo, conforme o número de eventos internacionais realizados.
Já na edição 2018, o município ficou na 7ª posição, empatado com Belo Horizonte. São Paulo liderou o ranking nacional, seguido por Rio de Janeiro (2ª), Foz do Iguaçu (3ª), Brasília (4ª), Florianópolis e Salvador empatadas na 5ª posição e Fortaleza (6ª).
Para entrar no ranking organizado pela ICCA, a cidade deve receber eventos internacionais organizados por associações com periodicidade fixa e, no mínimo, com 50 participantes. Além disso, o evento precisa ser realizado em, pelo menos, três países.
Campinas atrai organizadores de eventos por alguns fatores, incluindo a malha rodoviária, o Aeroporto de Viracopos e o setor hoteleiro, que pode hospedar até sete mil pessoas. Outro destaque de Campinas está na concentração de grandes empresas: pelo menos 50 das 500 maiores multinacionais do País estão na RMC.
No quesito infraestrutura para eventos, Campinas está atrás somente de São Paulo e Rio de Janeiro. Conta com centros de convenções como o Expo D. Pedro, que tem capacidade de até 2 mil pessoas em auditório, 13 mil m² de área construída, 7 mil m² de área para feiras, shows e festas sociais. Outro exemplo é o Royal Palm Hall Eventos, que recebe até 5 mil pessoas, jantares para até 3,5 mil pessoas, além de 51 espaços de eventos, totalizando 13,5 mil m² de salas e foyers.

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Gilson Rei/ Correio Popular