Publicado 30 de Abril de 2021 - 14h43

Por Cibele Vieira/ Correio Popular

Kauê Garcia: “Quando a gente tem a oportunidade de criar um novo mundo, por que pensaria numa arma?”

Divulgação

Kauê Garcia: “Quando a gente tem a oportunidade de criar um novo mundo, por que pensaria numa arma?”

O que faz o espectador quando o artista não está presente? Esse questionamento – tão comum em tempos de apresentações virtuais – foi o foco para a escolha dos projetos que integram o Perfídia - Festival de Performance e Novas Mídias. Durante os 38 dias de festival – que começou dia 23 último e segue até 30 de maio – todas as atividades focam as relações entre arte, tecnologias virtuais e corpo, principalmente o corpo de quem está na plateia. O resultado é uma relação diferenciada entre o presencial e o digital, proporcionando experiências intensas para quem interage com as obras.

Até a plataforma virtual do festival é exclusiva e foi criada para dar a sensação de andar pelos ambientes, como acontece nos games. O 'hub' é uma mistura de sala de bate-papo com realidade virtual e foi construído pelos programadores que dão suporte ao evento. Ao acessar, o espectador escolhe um avatar (corpo do seu personagem virtual) para entrar nas salas e viver a experiência, de forma semelhante ao que aconteceria se estivesse presente, podendo conversar por voz e também via chat de texto. Os realizadores do Perfídia, Luciana Ramin e Otávio Oscar, explicam que a construção do espaço digital foi um estímulo à experiência de imersão.

Arte variada e para todos

O Festival quer trazer para o centro da discussão o uso das novas tecnologias na construção de narrativas e experiências sensíveis, abordando temas contemporâneos, explicam os curadores. Para eles, as diferentes linguagens possibilitaram a integração entre as artes da presença (teatro, dança, performance, música ao vivo, intervenções urbanas, instalações) e as artes digitais (vídeo, som eletrônico, luz, projeções, videomappings, circuit bendings, softwares interativos, games, aplicativos, audiotours, realidade virtual, realidade aumentada).

São cerca de trinta atividades e obras vindas de nove estados brasileiros, organizadas na plataforma em categorias que vão de videoperformances a instalações virtuais, passando por audioguias e web art, além de oficinas virtuais ministradas no _perfídiaLAB, programação infantil no _perfidinha, festas via videoconferência no _perfídiaMUSIC e as salas do _perfídiaCOLAB, onde artistas e coletivos desenvolveram, em parceria, projetos inéditos.

Estão presentes ainda instalações em 360º do coletivo francês Arcaan, além do Gameart_Virtualizado, do artista manauara John Sabbat. Esta é a primeira versão virtual do festival itinerante e contou com apoio da Lei Aldir Blanc. As edições presenciais foram em 2017 (São José do Rio Preto/SP) e em 2019 (São Paulo/SP) com espetáculos de teatro, dança, música, performances, instalações e outras manifestações artísticas e culturais.

Escrito por:

Cibele Vieira/ Correio Popular