Publicado 29 de Abril de 2021 - 17h33

Por Adriana Giachini/Correio Popular

Desde 2005, o Centro Cultural Casarão abriga intensa e diversificada atividade artística para todos os públicos

Divulgação

Desde 2005, o Centro Cultural Casarão abriga intensa e diversificada atividade artística para todos os públicos

Artistas de Campinas, assim como admiradores da arte em geral e frequentadores do Centro Cultural Casarão, de Barão Geraldo, estão mobilizados na arrecadação de dez mil assinaturas em um abaixo-assinado que será entregue nos próximos dias à Prefeitura de Campinas, com objetivo de impedir que vias de acesso ao espaço sejam fechadas.

De acordo com os organizadores do documento, o projeto Cinturão de Segurança, da Associação de Proprietários Terras do Barão, em análise pela Secretaria de Urbanismo, prevê o fechamento do bairro com guaritas e controle de frequentadores.

O Centro Cultural Casarão está no bairro desde 2005 e é importante palco de fomento à arte local não só como espaço para apresentações, mas também para uso de bastidores na criação e ensaios de diversas companhias de arte da cidade.

“O Centro Cultural Casarão é uma Casa de Cultura que pertence à população de Campinas, sendo o único equipamento público municipal em Barão Geraldo voltado exclusivamente à Cultura.”, destaca o ator Valdo Matos, que integra o coletivo gestor do Casarão.

“O projeto preocupa porque restringe o acesso do público, o que descaracteriza completamente a identidade arquitetônica e paisagística do Casarão, além de nos asfixiar como espaço cultural, uma vez que o cerceamento das pessoas faz perder o sentido de estar ali, como espaço cultural”, completa.

Segundo ele, um dos itens de preocupação do coletivo e fator que motivou a organização do abaixo-assinado – que ontem, já estava com 9.800 nomes – é a falta de transparência de informações sobre o projeto por parte da Associação. “Nós não tivemos acesso ao processo que tramita na Secretaria de Urbanismo e não fomos consultados pela Associação, o que entendemos que deveria acontecer o quanto antes, uma vez que seremos afetados pelo fechamento”, reforça o ator.

A reportagem tentou contato telefônico com a Associação, mas sem sucesso. No entanto, de acordo com edital de assembleia publicado no site da entidade, o projeto Cinturão de Segurança está entre as prioridades e seria debatido no mês passado, em reunião com os associados. Porém, o encontro foi cancelado por conta da pandemia. Em nota, a Prefeitura de Campinas confirmou que a Associação de Moradores e Proprietários do Terras de Barão entrou com pedido de autorização para implantar cinturão de segurança, mas informou que a análise ainda não foi concluída. Também diz o comunicado que “a manifestação dos integrantes do Centro Cultural Casarão será levada em consideração nesse processo.”

Ainda segundo a administração, as regras que disciplinam a instalação de cinturão de segurança, que depende de decreto para ser efetivado, estão definidas na lei complementar nº 208, de 20 de dezembro de 2018, nos artigos de 55 a 58, este último, em seu paragrafo 3º, consta que “a análise do pedido deverá priorizar a regularização de situações consolidadas, assim consideradas aquelas de difícil reversão, considerados o tempo, a natureza do CIS (cinturão de segurança), a localização das vias de circulação, a presença de equipamentos públicos, entre outras circunstâncias”.

[INTERTITULO]História

[/INTERTITULO]Inaugurado em 2005, o Centro Cultural Casarão vem, desde então, desenvolvendo intensa programação de encontros e festas culturais, além de exposições, oficinas e apresentações das mais diversas linguagens artísticas. Somente em 2019, de acordo com o coletivo gestor, o espaço atingiu um público de aproximadamente oito mil pessoas em atividades abertas e gratuitas.

“Claro que, com as restrições da pandemia da covid-19, os eventos presenciais estão suspensos, mas, e dentro das recomendações das autoridades, a agenda de ensaios dos inúmeros artistas que precisam de local continua”, garante Valdo.

O local conta com auxílio da administração pública para gastos com iluminação, água e limpeza, além da manutenção de dois funcionários. Recebe apoio também de um coletivo de artistas, formado por mais de 70 colaboradores. “Temos artistas, fotógrafos, educadores e até moradores que estão unidos em prol do Casarão”, garante Valdo.

Ainda de acordo com o ator, que fala em nome do coletivo, é indiscutível a relevância do local para Campinas. “Nossa cidade possui uma rica produção cultural mas, infelizmente, muito pouco chega à sua população principalmente pela enorme carência de espaços. Como um dos poucos espaços públicos de vivência de cultura na cidade, o Centro Cultural Casarão precisa continuar a ser um local aberto e de todas”.

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Adriana Giachini/Correio Popular