Publicado 27/04/2021 - 19h12 - Atualizado 27/04/2021 - 19h12

Por Correio Popular


Dividida em três setores, a sociedade se organiza em um complexo sistema. O primeiro, conhecido como setor público, é formado pelos entes federativos - Executivo, Legislativo e Judiciário. O dinheiro arrecadado é público e retorna na forma de benefícios ou de prestação de serviços à população. Não visa lucro e seu papel é distribuir renda, promover justiça e bem-estar social.
O segundo é o mercado que engloba as empresas privadas. Estas competem entre si e visam o lucro. O dinheiro arrecadado é privado e retorna a elas mesmas. Exceto os impostos. Os investimentos também são privados e servem para expandir os negócios e aumentar os lucros. Seu papel é gerar empregos e satisfazer as necessidades das pessoas.
Por fim, temos o terceiro setor, composto por entidades. Não possuem fins lucrativos. Podem receber doações tanto do Estado como de empresas privadas. Porém, os recursos são utilizados em prol da sociedade, que financia projetos sociais em comunidades carentes ou na defesa do meio ambiente.
A existência harmônica desses três setores é essencial para o país. Ocorre que, há décadas, observadores identificaram um quarto setor, que se expande rapidamente a corrompe as estruturas sociais. Trata-se do crime organizado. Uma característica lhe é muito peculiar: pode se infiltrar nos três outros setores, como uma espécie de metástase social.
No primeiro, disfarçado de poder público a prestar serviços típicos do Estado em comunidades onde governos se fazem ausentes. No segundo, atuando no comércio ilegal de drogas, por exemplo. No terceiro, atendendo às necessidades das comunidades carentes, onde dominam e impõem suas próprias regras.
O quarto setor é comum em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. Mas na região de Campinas, o fenômeno começa a dar sinais preocupantes. A população do distrito do Campo Grande está alarmada com as últimas notícias, envolvendo moradores da região. Seus corpos foram encontrados pela polícia em um cemitério clandestino, em Jarinu, região de Jundiaí. Alguns deles tinham sinais de tortura. O que reforça a suspeita da polícia de terem passado por um típico "tribunal do crime". Um acerto de contas com facções criminosas.
Cabem às autoridades de segurança investigar a atuação desses grupos. É preciso impedir que a cidade venha, no futuro, a sofrer as mesmas consequências maléficas provocadas pelo crime organizado, que invariavelmente sequestra a paz e a segurança do cidadão.

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