Publicado 26/04/2021 - 17h39 - Atualizado 26/04/2021 - 17h39

Por Correio Popular


Em entrevista exclusiva publicada na edição de hoje do nosso jornal, o oncologista do Centro de Oncologia Campinas (COC), Fernando Medina, chama atenção para os impactos negativos que a pandemia provoca na prevenção contra o câncer. Um dado assustador é revelado: a redução de 60% de novos casos da doença, registrada desde o início da pandemia.
Obviamente, as pessoas não estão ficando menos doentes, elas simplesmente deixam de procurar o serviço médico quando precisam, o que retarda o diagnóstico da doença. Segundo o Dr. Medina, no início, o fenômeno ocorreu porque os pacientes, temendo uma eventual contaminação por covid-19, evitaram procurar os centros de saúde. Com isso, exames importantes para diagnóstico precoce deixaram de ser feitos. Em um segundo estágio, com a sobrecarga no sistema de saúde, as cirurgias eletivas foram adiadas.
O desafio agora é tentar minimizar esse impacto de modo a incentivar a prevenção, principalmente contra os cânceres de mama, colo de útero e próstata, que matam milhares de mulheres e homens todos os anos. Do contrário, em breve haverá uma explosão de casos em grau avançado, o que vai demandar mais custos para o sistema de saúde e mais pacientes sendo submetidos a tratamentos como quimioterapia.
Diante desta constatação, observada pelo Dr. Medina, poderia-se argumentar que a covid-19 prejudicou o tratamento de diversas doenças, não se limitando ao câncer. Quantas cirurgias eletivas tiveram que ser adiadas por falta de estrutura de atendimento nos hospitais públicos e privados, tomados por conta da explosão de casos de covid-19? Sim, isto é certo. Porém, conforme explica o oncologista, o câncer deveria ser considerado uma cirurgia de emergência e não eletiva.
Como se sabe, a doença é grave, espalha-se rapidamente e de forma agressiva, ocorre metástase, elevando muito o risco de agravamento do quadro e, ato contínuo, tem-se uma redução significativa da expectativa de vida. Casos que poderiam ser controlados ou até mesmo curados, com o diagnóstico precoce, estarão irremediavelmente perdidos, com este descontrole dos programas de prevenção e tratamento que estão literalmente parados, conforme se observa.
Dado o alerta, cabem às autoridades de saúde pública de todos os entes federativos pensar em uma saída para o pós-pandemia, de modo a incentivar as pessoas a retomar o controle e a prevenção desta terrível doença. Muita saúde para todos e bom domingo!

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