Publicado 29/04/2021 - 11h44 - Atualizado 29/04/2021 - 11h44

Por Erick Julio/ Correio Popular

Caminhões transitam pela Rodovia Anhaguera, escoando a produção industrial: empresas da região pedem crédito para a retomada plena das atividades

Ricardo Lima/ Correio Popular

Caminhões transitam pela Rodovia Anhaguera, escoando a produção industrial: empresas da região pedem crédito para a retomada plena das atividades

A indústria da região de Campinas precisará de crédito para retomar o seu nível máximo de produtividade. A constatação faz parte da sondagem mensal divulgada ontem pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Campinas. A pesquisa deste mês de abril, referente aos resultados da indústria em março, trouxe três novos questionamentos para as empresas afiliadas. Entre eles, o Ciesp perguntou como cada associada vê "a necessidade de crédito mais disponível e a juros mais baixos na retomada do crescimento industrial?". Para 61% das indústrias, a disponibilidade de crédito será 'fundamental e obrigatório'. Outras 39% consideram 'importante' essa oferta.
Os números, segundo o vice-diretor do Ciesp Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, mostram que as empresas precisam de recursos para voltar ao mesmo patamar de produção pré-pandemia, principalmente porque a lucratividade delas tem recuado. De acordo com a pesquisa, mais da metade (55%) das indústrias apontaram que o lucro referente às vendas em março foram inferiores ao mês de fevereiro.
Corrêa entende que o resultado é decorrente dos impactos da segunda onda da pandemia de covid-19. "Com o aumento de casos em março, a indústria voltou a sentir os impactos. Por isso, o Ciesp tem buscado fazer intervenções junto ao Governo Federal, além de procurar a aproximação com fintechs [startups ou empresas que desenvolvem produtos financeiros totalmente digitais] para ter dinheiro mais barato para as empresas", aponta o vice-diretor.
Os outros dois novos questionamentos feitos pelo Ciesp tratam do aumento do preço de venda do gás natural para as distribuidoras, a partir do dia 1º de maio, e dos novos valores do aço, que cresceu 10% no início deste mês. De acordo com a entidade, quase metade das indústrias (48%) afirmou que será afetada pelo reajuste da Petrobrás, enquanto 52% delas sofrerão algum impacto por conta da medida da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
Em relação ao aço, 31% das empresas associadas à Ciesp afirmaram que vão repassar o aumento para o produto. Já 21% informaram que o custo de produção vai aumentar. Diante deste cenário, o levantamento feito em março mostra ainda que os custos das matérias-primas para a indústria continuam altos. Para 71% das empresas afiliadas à Ciesp, os valores aumentaram no mês passado.
O vice-diretor da entidade explica que a maioria das empresas associadas tem micro, pequeno e médio portes, cujas administrações são feitas pelos proprietários, o que amplia o impacto do "fator psicológico" na hora de fazer investimentos. "Nós estávamos vindo de pesquisas que mostravam algum crescimento, mas a segunda onda provocou uma queda da produtividade, uma vez que a decisão sobre investir é muito impactada pelo emocional. Com os novos casos de covid-19, esse administrador-proprietário fica mais receoso na hora decidir um investimento", explica.
Apesar do cenário negativo do momento, o vice-diretor da entidade acredita que nos próximos meses deve ocorrer uma "pequena retomada da atividade produtiva", que vai depender do avanço da vacinação contra a covid-19. Corrêa, inclusive, considera que a Região Metropolitana de Campinas (RMC) "tem um número bastante significativo de pessoas vacinadas". Ocorre, no entanto, que nenhum dos 20 municípios que compõe a RMC alcançou 20% de pessoas vacinadas, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, atualizados na última terça-feira.

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