Publicado 28/04/2021 - 10h29 - Atualizado 28/04/2021 - 12h28

Por Raquel Valli/ Correio Popular

Posto de vacinação contra a covid-19 em Vinhedo: município estava em negociação para compra da Sputnik V

Kamá Ribeiro/ Correio Popular

Posto de vacinação contra a covid-19 em Vinhedo: município estava em negociação para compra da Sputnik V

Membros do Consórcio Nacional de Vacinas das Cidades Brasileiras (Conectar), instituído pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), estão decepcionados com a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que não aprovou a importação da vacina russa Sputnik V. "Foi com surpresa e decepção que prefeitas e prefeitos consorciados ao Conectar acompanharam na noite da última segunda-feira a deliberação da Agência a respeito da possibilidade de importação da vacina russa", informou a FNP, por meio de nota enviada à imprensa.
Em tratativas com o Fundo Soberano Russo, a FNP negociava a aquisição de 30 milhões de doses, cuja negociação não poderá ser concretizada após a decisão da Anvisa. Por unanimidade, o órgão negou a importação da Sputnik, sustentando falta de informações e risco de doenças por falha na fabricação. O Conectar vai seguir com os ajustes nas questões contratuais, na expectativa de que o governo russo encaminhe informações adicionais sobre os processos de produção indicados pela Anvisa. "A iniciativa busca agilizar o processo de entrega das vacinas, caso o uso do imunizante venha a ser liberado no Brasil", acrescenta a nota.
O Conectar monitora os fornecedores com autorização de uso no território brasileiro, e informou que intensificou as relações diplomáticas para articulação de alternativas de imunizantes com países como os Estados Unidos. Esta semana, um encontro com o embaixador chinês também irá tratar de possíveis parcerias. O Consórcio reúne mais de 2 mil cidades que, juntas, representam mais de 150 milhões de brasileiros, dispostos em 26 capitais e centenas de outros municípios.
Ciência
Para a infectologista Raquel Silveira Bello Stucchi, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp), "precisamos de muitas vacinas para conter a pandemia, mas de vacinas que tenhamos segurança de que serão eficazes, e que não colocarão nossa vida em risco". Ela considerou o trabalho da Anvisa "exemplar". "Considero que foi absolutamente correto; um parecer muito técnico", afirma a médica.
As prefeituras de Vinhedo e de Valinhos também comentaram a negativa da agência. Os dois municípios fazem parte da Frente Nacional de Prefeitos. Além de integrarem o Conectar, tentavam comprar, juntas, a Sputinik V diretamente da Rússia. "Sempre que falamos do assunto do interesse na compra de vacinas, fizemos questão, em todos os comunicados oficiais, de ressaltar a importância da aprovação pela Anvisa. E, por se tratar de um órgão técnico, que não tem conotação político-partidária, respeitamos a decisão, na certeza de que estão avaliando, com critérios, acima de tudo, a segurança e saúde do povo brasileiro. Esperamos que o Ministério da Saúde possa acelerar outros processos de compra de vacinas aprovadas e em fase final de aprovação", informa a Administração Municipal de Valinhos.
Por sua vez, a Prefeitura de Vinhedo informou "que respeita as determinações da Anvisa e que tem como prioridade adquirir vacinas seguras e eficazes para seus moradores". Acrescentou ainda que "tem realizado prospecções de outras vacinas que possam ser fornecidas ao município, mas que não descarta que a Sputinik cumpra os requisitos exigidos pela Agência Nacional e possa ser vendida no Brasil". O prefeito de Campinas, Dário Saadi, considera que seria importante a autorização de uso de mais uma vacina no Brasil. "Espero que, em futura análise, a Anvisa possa liberar a Sputnik, desde que obedeça a todos os critérios técnicos necessários."

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