Publicado 14 de Abril de 2021 - 15h30

Por Edson Silva/ Correio Popular

O ativista cultural Wagner Luiza Alves, conhecido como Jamaica, foi homenageado pela Ong na rede social

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O ativista cultural Wagner Luiza Alves, conhecido como Jamaica, foi homenageado pela Ong na rede social

A Polícia Civil de Hortolândia está começando a montar um verdadeiro mosaico de investigação para chegar ao motivo que levou um homem a disparar, aparentemente a esmo, contra pessoas que estavam em uma reunião de uma Organização Não Governamental (ONG), atingindo duas delas, matando uma. O fato ocorreu no final da noite do sábado e foi oficialmente registrado na madruga de anteontem.

A vítima fatal foi o ativista cultural Wagner Luiz Alves, 37 anos, morto na frente de várias testemunhas, entre as quais sua esposa. O atirador baleou também outro homem, de 44 anos, que foi socorrido e está internado.

Testemunhas afirmam que não perceberam qualquer motivo para os disparos, uma vez que o atirador também participava da reunião, embora, aparentemente por acaso, visto que ele teria ido ao local supostamente para realizar um trabalho particular. Ele estava acompanhado por uma mulher e não havia qualquer indício de que estivesse armado.

Passado alguns minutos, o homem teria deixado a mesa em que estava, subindo ao piso superior, deixando o grupo, de aproximadamente oito pessoas, na reunião.

Ele, então, voltou usando uma espécie de blusa vermelha, onde escondia a arma e munição, passando a atirar nas pessoas.

Testemunhas contaram que, após atirar em um dos homens, o suspeito abriu as portas dos banheiros, como se estivesse atrás de mais vítimas.

O homem que acabou baleado e morto já estava fora do recinto quando foi alvejado pelo atirador. “Precisamos que a polícia descubra o que aconteceu”, clamou uma testemunha que não quis se identificar. Ela afirmou que a vítima, que acabou morrendo, a havia ajudado a escapar da morte antes de correr para tentar se esconder em um carro.

“Eu caí. Tenho idade avançada. Ele me levantou e, em seguida, tentou se refugiar num carro, mas foi alcançado e baleado pelo atirador”, relatou a testemunha, uma das convidadas para a reunião que ocorria em uma casa de eventos. “Estamos todos perplexos e querendo saber porque isso aconteceu!”.

Ontem, o delegado titular da cidade de Hortolândia, João Jorge Ferreira da Silva, disse que as equipes do Setor de Investigações Gerais (Sig) da cidade estão desde as primeiras horas do domingo trabalhando no caso. Ele instaurou o inquérito policial e já ouviu uma pessoa. As outras também serão intimadas para depor. Segundo ele, a Polícia Civil busca imagens e diz ser prematuro antecipar qualquer coisa sobre o fato.

“Vamos montar um mosaico para descobrir os porquês, as razões que podem ter motivado o crime”, disse o delegado. A polícia confirma que no local foram encontradas 12 munições calibre 380, entre cartuchos e já detonadas.

Um suspeito foi detido praticamente na mesma hora do crime na Rodovia dos Bandeirantes, em Campinas, com uma arma semelhante à utilizada no crime. Ela será periciada. Segundo a polícia, após balear os dois homens, matando um deles, o suspeito deixou o local pilotando uma motocicleta.

Na Delegacia de Hortolândia, o registro da ocorrência foi de um homicídio simples consumado e outro tentado. O delegado titular da cidade pretende ouvir novamente algumas testemunhas, se necessário, a fim de desvendar o caso. “Esclarecer é nosso objetivo”, ressaltou.

Manifesto

Em redes sociais, integrantes do Movimento Negro Unificado (MNU Campinas) lamentaram a morte de Wagner Luiz Alves, conhecido como Jamaica.

A nota acrescenta que Jamaica será lembrado por sua doçura, serenidade e consciência política. Junto de sua esposa, Cris, o MNU aponta que Wagner vestia a militância do movimento com as cores e os desenhos da luta.

A nota lembra ainda que cabe aos que ficam, neste momento de dor, a responsabilidade de levar adiante a mensagem que ele estampava nas camisetas que produzia: “Vidas negras importam!”

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Edson Silva/ Correio Popular