Publicado 25/03/2021 - 17h01 - Atualizado 25/03/2021 - 17h01

Por Da Redação

Gravidade Zero, monólogo do ator Mário Bortolotto, coloca em cena o ancestral desejo de voar e se arriscar do ser humano

Cris Jatobá

Gravidade Zero, monólogo do ator Mário Bortolotto, coloca em cena o ancestral desejo de voar e se arriscar do ser humano

O desejo de voar, que acompanha o ser humano desde os mais primórdios tempos, é o fio condutor de Gravidade Zero, monólogo teatral de Mário Bortolotto que será exibido gratuitamente on-line amanhã e sábado, e 3 e 4 de abril, sempre às 21h, pelo canal do espetáculo no Youtube. Segundo o ator, "Gravidade Zero é um texto ao mesmo tempo profundo, irreverente, visceral e acessível. Um voo incerto, mas que provém da natureza dos que se arriscam além do que a vida oferece. O personagem é um sonhador, existencialista, alguém que se recusa à submissão das regras impostas".
Bortolotto é autor, ator e diretor, que tem em seu currículo prêmios Shell e APCA. Ele escreveu Gravidadde Zero em 2001 especialmente para o ator e artista circense Rodrigo Matheus, fundador da Cia. Circo Mínimo. O monólogo estreou no Cultura Inglesa Festival daquele ano, sob a direção de Elias Andreato, e desde então não contou com quase nenhuma outra montagem nos palcos.
Desde 2019, o texto foi retomado para esta nova versão por iniciativa do ator Francisco Eldo Mendes, parceiro de longa data do autor. No início de 2020, a direção foi assumida pelo artista gráfico André Kitagawa, que vem desenvolvendo trabalhos diversos junto ao teatro.
Além das seis apresentações transmitidas em formato on-line, o público poderá acompanhar registros do processo de montagem e construção do espetáculo através das redes sociais do projeto. Ao longo das semanas de apresentação, serão lançados vídeos com entrevistas com elenco, direção e dramaturgia.
[INTERTITULO]Sinopse
[/INTERTITULO]O monólogo traz um personagem de espírito sonhador e libertário, que vive inconformado e atormentado pelas restrições que o mundo, com suas regras, lhe impõem. Desde pequeno, ele é obcecado pela ideia de voar, de pairar sobre o chão. Suas aspirações parecem não ter lugar num mundo que teima em puxá-lo ao chão frio da realidade. Acuado, deprimido, isolado, o personagem está destinado a um trágico fim.
As filmagens para a versão em vídeo foram realizadas no Cemitério de Automóveis, espaço cultural localizado no bairro Jardins, da capital paulista, criado por Bortolotto. A direção de imagens ficou a cargo do fotógrafo Cauê Angeli.
Um dramaturgo com pitadas de Plínio Marcos
“Mario Bortolotto é um ator carismático e impecável, autor e diretor de seus próprios textos [...]. A par da qualidade, sua produção continuada faz imaginar um trabalhador incansável escondido por trás de sua postura 'rebelde', e faz supor que guarde ainda muitos tesouros escondidos", disse o diretor teatral Fazui Arap no livro SEIS, de Mário Bortolotto.
Dramaturgo de personagens à margem da sociedade, Mário é o representante contemporâneo mais próximo ao universo do dramaturgo Plínio Marcos, por sua linguagem cáustica e direta. Nascido em Londrina (PR), em 1962, o autor, ator e diretor ganhou destaque no teatro paulista a partir de meados dos anos 1990.
Seu grupo teatral, Chiclete com Banana, criado em parceria com Lázaro Câmara, em Londrina, em 1982, e que, em 87, passou a se chamar Cemitério de Automóveis, participou de vários festivais pelo País. Em 1996, o grupo transferiu-se para a capital paulista.
Em 2000, a atriz Fernanda D'Umbra produziu a Mostra Cemitério de Automóveis, com 14 espetáculos que permaneceram em cartaz entre julho e outubro no Centro Cultural São Paulo - CCSP. A mostra rendeu a Mário Bortolotto o Prêmio Associação Paulista de Críticos de Artes - APCA, de melhor autor do ano de 2000 pelo conjunto da obra, e o Prêmio Shell de melhor autor por Nossa Vida Não Vale Um Chevrolet, em 2001.
[INTERTITULO]Cemitério dos Automóveis
[/INTERTITULO]Em 2013, Bortolotto, em parceria com a atriz e produtora Danielle Cabral, criou o bar-teatro Cemitério de Automóveis, localizado no bairro da Consolação, São Paulo, com o objetivo de oferecer bons espetáculos, saraus, lançamentos de livros e bebidas. O local se tornou reconhecido como um núcleo de produção constante e intensa, permanecendo em cartaz na cidade de São Paulo com espetáculos de teatro, eventos sobre literatura, além de shows com a Banda Cemitério de Automóveis, formada em 1999 com repertório próprio de blues e rock’n’roll.

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