Publicado 19/03/2021 - 11h30 - Atualizado 19/03/2021 - 12h31

Por Rodrigo Piomonte/ Correio Popular

Linha de produção de medicamentos utilizados no manejo de pacientes graves: médicos alertam autoridades para os riscos da falta de insumos

Cedoc/ RAC

Linha de produção de medicamentos utilizados no manejo de pacientes graves: médicos alertam autoridades para os riscos da falta de insumos

Com a explosão dos casos de covid-19 nessa segunda onda da pandemia fora de controle, pacientes em estado grave contaminados pela doença, principalmente os que precisam ser intubados, correm o risco de morte por causa da falta de medicamentos e insumos nas farmácias hospitalares. Esses fármacos são utilizados na manutenção da vida dos pacientes internados nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs).
Em Campinas, apesar da Rede Mário Gatti afirmar que não há desabastecimento, a Prefeitura admite a baixa de estoque em alguns produtos e informou enfrentar a espera por entrega de medicamentos e insumos nas unidades da rede.
Diante do problema, a administração municipal mantém o processo de compra desses insumos com seus fornecedores sempre em aberto. O motivo é que as empresas responsáveis pelo abastecimento estão com dificuldade de cumprir os prazos para entrega.
Um estudo que foi realizado pelo Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo, (CRF-SP), e que traz um retrato da situação de 103 hospitais privados, referências para o tratamento da covid-19, e 43 da rede pública paulista, entre eles de Campinas, aponta que as farmácias hospitalares enfrentam privações de fármacos utilizados na manutenção da vida dos pacientes internados nas UTIs.
O desabastecimento é mais preocupante na rede pública. Além da falta de medicamentos entre eles, sedativos, anestésicos e bloqueadores neuromusculares, fundamentais no manejo dos pacientes internados que necessitam de ventilação mecânica, foi apontado ainda problemas no estoque de máscaras, seringas e oxigênio medicinal.
As informações do estudo foram reunidas por meio de respostas de 234 farmacêuticos atuantes na área hospitalar em todo o Estado.
Em 77% dos relatos, os profissionais afirmaram que os estoques de insumos para a intubação de pacientes graves de covid-19 são o problema. O desabastecimento de EPIs foi apontado como dificuldade por 53%. E a falta de produtos usados na área da saúde por 44%.
Dos hospitais privados acompanhados pelo estudo, 77 apresentaram desabastecimento de medicamentos, 29 de EPIs e 27 de produtos para a saúde. Na rede pública, 32 sofrem com a falta de medicamentos, 8 a falta de EPIs, 9 com produtos para a saúde e um com a falta de oxigênio medicinal.
Para o médico Gastão Wagner, professor titular de saúde Pública da Faculdade Medicina da Unicamp, o cenário exige uma postura firme das autoridades dentro e fora dos hospitais.
"É preciso que ocorra um esforço forte junto ao Ministério da Saúde para que busquem mecanismos e estratégias para compra e distribuição imediata desses medicamentos", explica.
O professor destaca a necessidade de um esforço local até de relações internacionais para, se preciso, buscar uma importação de forma a manter o abastecimento dessas substâncias.
Entidades e associações que reúnem profissionais de saúde, hospitais e operadoras de planos de saúde também estão preocupadas com o cenário. Na noite de ontem se reuniram virtualmente com o prefeito Dário Saadi (Republicanos) para debater a situação atual da pandemia no município e buscar providências.
"A questão será levada a todas as esferas governamentais, pois quem mais sofre com essa situação são os profissionais da saúde que estão na linha de frente e a população, acima de tudo", destaca Marcelo Polacow, vice-presidente do CRF-SP, entidade responsável pelo estudo.
Entre os medicamentos apontados como faltantes em Campinas e região estão os sedativos como Midazolam, Fentanil e Propofol, neurobloqueadores musculares como o Atracúrio, Rocurônio e Cisatracúrio, importantes para facilitar a intubação e essenciais para mantê-la, além da Heparina, fármaco utilizado para prevenir e tratar a formação de coágulos sanguíneos ou trombos, comuns em pacientes covid-19.

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Rodrigo Piomonte/ Correio Popular