Publicado 05/03/2021 - 15h54 - Atualizado 05/03/2021 - 15h57

Por Da Redação

Unidade de Pronto Atendimento de Valinhos: consumo diário de oxigênio aumentou 1.000% em 30 dias

Diogo Zacarias/ Correio Popular

Unidade de Pronto Atendimento de Valinhos: consumo diário de oxigênio aumentou 1.000% em 30 dias

O agravamento da pandemia de covid-19 no Estado de São Paulo provocou uma superlotação dos leitos de UTI e de enfermagem das unidades médicas de Valinhos. A procura por internações levou a um aumento no consumo de cilindros de oxigênio na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), segundo informou a Prefeitura ontem.
Por conta da situação crítica, a prefeita Capitã Lucimara (PSD) resolveu endurecer ainda mais o fechamento na fase vermelha e decidiu proibir a abertura de escolas e igrejas. A medida vai além das restrições impostas pelo decreto do governador João Doria (PSDB), que permite o funcionamento de templos religiosos e estabelece que as escolas podem receber alunos, com limite máximo de 35% da capacidade.
A Secretaria Municipal de Saúde confirmou, ontem, mais cinco mortes e 69 outros casos de covid-19 na cidade. Valinhos registra no total 5.069 casos confirmados e 168 óbitos. A taxa de ocupação dos leitos de UTI atingiu 100% nos dois hospitais do município.
O Hospital e Maternidade Galileo, que faz atendimento na rede privada de saúde, registrou uma ocupação de 100% dos leitos de UTI covid-19 e 94% na enfermaria. A Santa Casa, que atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e convênios, alcançou 100% de ocupação nos dois setores. Por conta disso, a procura por leitos na UPA aumentou ao longo dos últimos dias, segundo informou a Prefeitura.
Ainda de acordo com a administração municipal, há 20 dias foram abertos 10 novos leitos de enfermaria na UPA, totalizando 26. Ocorre, no entanto, que desde o dia 15 de fevereiro, o número de internações cresceu. Dos 26 leitos, 10 são destinados a pacientes com o coronavírus. Na terça-feira, por sua vez, 19 leitos estavam ocupados com doentes de covid.
A UPA possui respiradores, entretanto, a Prefeitura esclareceu que a unidade não tem estrutura de UTI e que os leitos de enfermaria contribuem para manter um paciente estável até que se encontre uma vaga em outros hospitais. A elevada ocupação na UPA levou a um aumento no consumo de oxigênio nos respiradores, o que tem preocupado a administração municipal.
Segundo informou a assessoria de imprensa da Prefeitura, até o fim do mês de janeiro e início de fevereiro, a UPA consumia em média de 20 a 24 cilindros de 10 m³ de oxigênio por semana, três cilindros por dia. A partir do dia 15 de fevereiro, o consumo aumentou e chegou a 12 a 20 cilindros por dia. Já em março, a UPA tem consumido 32 cilindros de 10 m³ diariamente. Na média, o consumo diário de oxigênio aumentou mais de 1.000% em 30 dias.
A situação crítica acendeu o sinal vermelho na Prefeitura, uma vez que a UPA é a porta de entrada dos pacientes no sistema de saúde de Valinhos, conforme explica a prefeita Capitã Lucimara. "Tivemos um crescimento estrondoso no consumo de oxigênio. A empresa que faz o fornecimento dos cilindros realiza a troca duas vezes por dia. Por isso, entendemos ser necessário o enrijecimento da fase vermelha para que, se Deus abençoe, a UPA voltar a sua normalidade", aponta.
A chefe do Executivo valinhense reforça que a UPA não tem estrutura de UTI para uma internação de longa duração e, por isso, foi necessário um fechamento maior para diminuir a ocupação da unidade. "Passei na UPA hoje para acompanhar a situação e havia um paciente de 46 anos que estava entubado lá há mais de 24 horas, o que não é ideal. Ele estava estável e com um bom prognóstico, mas não queremos que esse tipo de situação ocorra", destaca a Capitão Lucimara, que fez um apelo aos moradores.
"Eu quero pedir para que o povo tenha compreensão desse momento. Precisamos que todos se preservem e procurem os serviços de saúde se sentirem os sintomas. Cada ação individual de prevenção contribui para o coletivo", destaca.
O agravamento da pandemia também provocou o aumento da ocupação de leitos nas outras cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC). Por conta disso, a reportagem do Correio Popular questionou as prefeituras de Campinas, Paulínia, Vinhedo e Indaiatuba.
A assessoria de imprensa da Prefeitura de Campinas informou que não há risco de desabastecimento de oxigênio para pacientes na Rede Mário Gatti. De acordo com a nota da administração municipal, os hospitais Mário Gatti e Ouro Verde utilizam uma rede de oxigênio líquido, em uma estrutura fixa de abastecimento contínuo.
O oxigênio gasoso, presente em cilindros, é utilizado nas UPAs, Samu e hospitais para transporte de pacientes entubados, de acordo com a Prefeitura, que ainda informou que "em situação normal", os cilindros são reabastecidos semanalmente. "Com o aumento de casos de covid-19, a recarga tem sido realizada a cada dois dias", diz a nota.
A Prefeitura de Vinhedo, por sua vez, informou que tanto a Rede Municipal de Saúde, quanto a Santa Casa "dispõem de oxigênio para atender a demanda" da cidade. A assessoria de imprensa de Indaiatuba não retornou o contato da reportagem. A cidade de Paulínia, por sua vez, informou que a oferta de oxigênio nas unidades de saúde da cidade está normal. 

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