Publicado 05/03/2021 - 10h42 - Atualizado 05/03/2021 - 10h42

Por Correio Popular


A gravidade da situação exige que o Correio Popular volte ao tema. E voltará quantas vezes forem necessárias, até que poder público e sociedade cheguem a um acordo e encontrem uma saída emergencial para a pior crise pandêmica de que se tem notícia desde a febre amarela que quase dizimou Campinas no século XIX.
Para uns pode soar óbvio, mas ainda há quem não compreenda a dimensão da tragédia que nos assola. Quando a Prefeitura Municipal avisa que não existem mais leitos de UTI disponíveis nos hospitais da cidade, sejam públicos ou privados, isto significa que não há mais leitos disponíveis para ninguém. Não apenas para os pacientes que precisam de tratamento contra a covid-19, mas também para os doentes terminais de câncer, para quem precisa se recuperar de uma cirurgia, para acidentados graves, etc. Nestes casos, a ausência de leitos de UTI levará o paciente ao óbito.
Profissionais da Saúde, dos médicos aos enfermeiros, são unânimes ao classificar como “cenário de guerra” o ambiente hospitalar em Campinas. No limite do esgotamento físico e mental, trabalhadores que estão na linha de frente no combate à covid se sentem abandonados à própria sorte — e não só pelo poder público.
Apesar do aumento do número de mortes, parcela expressiva da população continua desprezando as orientações das autoridades médicas e se aglomerando em bares e festas clandestinas. Embora se sintam imunes ao vírus, muitas dessas pessoas acabam se infectando e ocupando leitos que poderiam estar sendo usados por pacientes de outras doenças igualmente graves. Todos nós, cidadãos campineiros, estamos sujeitos a depender de uma internação hospitalar, amanhã ou depois.
A fase vermelha, que teve início na quarta-feira (3), é a mais restritiva do Plano São Paulo. Seu objetivo é reduzir ao máximo a transmissão de coronavírus no município. No entanto, para que surta efeito, será necessário que a Prefeitura intensifique a fiscalização nos bairros, de modo a desmobilizar aglomerações e eventos clandestinos, além do funcionamento ilegal de serviços não essenciais.
Em contextos de guerra — e os números atuais de mortos são, sim, números de guerra — permite-se aos governantes o endurecimento de medidas que visam salvaguardar a vida humana. É, aliás, o que a sociedade espera do prefeito Dário Saadi neste momento crucial da pandemia. As decisões tomadas nesses dias serão julgadas à luz da História.
 

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