Publicado 08/02/2021 - 12h54 - Atualizado 08/02/2021 - 13h17

Por Jorge Alves de Lima


O notável escritor e pensador francês Victor Marie Hugo, nasPcido em Paris, no dia 26 de fevereiro de 1802 e ali falecido no dia 22 de maio de 1885, foi também um notável ativista pelos direitos humanos, influenciando o cenário mundial intelectual e cultural, até os dias atuais e para todo o sempre.
No dizer do notável escritor e prêmio Nobel Mario Vargas Llosa, "Victor Hugo é, depois de Shakespeare, o autor ocidental que gerou mais estudos literários, análises filológicas, edições críticas, biografias, traduções e adaptações de suas obras nos cinco continentes." Foi autor dos romances Os Miseráveis, O Homem que Ri, O Corcunda de Notre Dame, entre tantos outros. É dele a bela frase que jamais perde sentido: "A liberdade literária é filha da liberdade política."
Por essas razões, Campinas, naquela quinta feira do dia 6 de julho de 1899, reverentemente, leu uma pequena crônica de Victor Hugo, de aguda filosofia, publicada no Diário de Campinas, sob o título:
ESFORÇO PERDIDO
"O homem, essa enfermidade, essa sombra, esse átomo, esse grão de areia, essa gota d'água, essa lágrima caída dos olhos do destino. O homem que, na sua perturbação e na dúvida, sabendo pouco do dia de ontem e nada no dia de amanhã, vendo no caminho o necessário para pousar os pés e o resto em trevas. O homem, trêmulo, se olha para diante triste e se olha para trás. O homem envolto em obscuridades – o tempo, o espaço, o ser – e nele perdido. O homem, tendo em si um abismo – a sua alma – e, fora de si, o céu. O homem que, em certas horas, se curva com espécie de horror sagrado a todas as forças da natureza, ao ruído do mar, ao agitar das árvores, à sombra das montanhas, ao irradiar das estrelas. O homem que não pode levantar a cabeça de dia, sem que a luz o cegue: de noite, sem que o perturbe o infinito. O homem que nada conhece, nada vê, nada entende.
O homem, esse ser tímido, incerto, miserável, salvo do acaso, ludibriado no minuto que passa. O homem, humilde verme da terra – quer destruir as obras de Deus e impugnar a religião que Ele legou com a sua morte e à qual promete a sua assistência!
Miséria das misérias...!"
Que texto profético! Ele sintetiza o tolo orgulhoso humano, a sua veleidade de destruir a natureza e investir contra as leis divinas. Essa visão de Victor Hugo, meus distintos leitores e leitoras do Correio Popular, aplica-se plenamente à realidade existencial da vida moderna!
Já em 1887, dois anos após o falecimento do genial escritor francês, César Bierrembach – inspirado intelectual campinense – escreveu o seguinte texto sobre Victor Hugo, na Gazeta de Campinas:
VICTOR HUGO
"Ele é um desses poucos nomes célebres que, elevados nas páginas da História e na tradição dos povos, vão, através dos séculos e das idades, recebendo os tributos da admiração de todas as gerações, tocar o apogeu da glória: a Imortalidade!
É uma dessas estrelas brilhantes da bela constelação formada na História da Humanidade pelo conjunto de grandes vultos preeminentes de todos os tempos.
E de fato, Victor Hugo é um nome tão grande que não caberá somente ao século XIX conhecê-lo e honrá-lo, mas a sua fama irá rolando de idade em idade, sempre admirado por todo o mundo. Ele é como o foram Demóstenes e Cícero, na eloquência, Platão e Sócrates, na Filosofia, Vírgilio, Byron e Camões, na poesia.
Victor Hugo ilustrou-se pelo talento, pelo saber e pelas obras, e tornou-se o orgulho de sua pátria e a glória do século em que viveu. Victor Hugo, portanto, é o maior gênio dos tempos modernos; ele é um morto imortalizado!
E hoje, aniversário desse dia infeliz em que ele baixou ao túmulo, hoje que a França toda se cobre de luto e chora pelo falecimento do homem que foi um dos maiores talentos, um dos seus mais ilustres filhos. Todas as nações, confraternizando-se, vêm depor sobre a tumba uma coroa de saudades e vêm unir-se à França, compartilhando o seu luto.
Ergamos nós, também, filhos do século XIX, a nossa fraca voz no meio desse concerto universal, e que a mocidade de Campinas renda a Victor Hugo o tributo de sua admiração."
Desde aquele tempo de nossa história, meus distintos leitores e leitoras do Correio Popular, o escritor Victor Hugo é um daqueles a quem, até os dias atuais, se podem aplicar os versos de Castro Alves, o poeta dos "Os Escravos":
"Quando o tempo entre os dedos
Quebra um século, uma nação,
Encontra nomes tão grandes,
Que não lhe cabem na mão"

Escrito por:

Jorge Alves de Lima