Publicado 14/01/2021 - 10h53 - Atualizado 14/01/2021 - 10h53

Por France Press

Dia quando ocorreu a invasão que interrompeu a sessão do Congresso dos EUA para validar eleição de Joe Biden

AFP

Dia quando ocorreu a invasão que interrompeu a sessão do Congresso dos EUA para validar eleição de Joe Biden

Uma maioria bipartidária de legisladores na Câmara dos Representantes votou ontem pelo impeachment de Donald Trump, a sete dias do fim de seu mandato, garantindo que o mandatário se tornará o primeiro presidente americano a passar por dois julgamentos de destituição.
O número de legisladores favoráveis ao impeachment sob a única acusação de "incitamento à insurreição" foi de 232, contra 197 votos contrários, garantindo, assim, maioria na Câmara Baixa, que tem 433 membros. Pelo menos 10 republicanos votaram com os democratas. O impeachment do presidente irá desencadear um julgamento no Senado dos Estados Unidos, o que não deve começar até que Trump, de 74 anos, já não esteja mais no cargo.
Faltando sete dias para a posse do presidente eleito, o democrata Joe Biden, Washington estava sob um forte esquema de segurança. O ambiente era tenso uma semana após a invasão da sede do Congresso por apoiadores de Trump, em 6 de janeiro.  Dezenas de militares da reserva passaram a noite dentro do Congresso. Muitos dormiam no chão das salas e corredores.
Blocos de concreto separavam os cruzamentos principais do centro da cidade; enormes barreiras de metal cercavam prédios federais, incluindo a Casa Branca, e a Guarda Nacional estava por todos os lados.
No Capitólio as intervenções dos congressistas foram enérgicas. Trump é um "tirano", lançou a democrata Ilhan Omar. "Não podemos virar a página sem fazer nada", disse ela. A republicana Nancy Mace afirmou que o Congresso deveria exigir que o presidente fosse responsabilizado por suas ações, mas considerou irresponsável agir de "forma precipitada".
Cada vez mais isolado, o tempestuoso presidente tentou na terça-feira minimizar o procedimento contra ele, descrevendo-o como uma "continuação da maior caça às bruxas da história política". 
Poucos dias antes de sua partida para sua residência em Mar-a-Lago, Flórida, onde sua nova vida como "ex-presidente" deve começar, Trump parece cada vez mais desconectado do que está acontecendo na capital americana.
Nenhum representante republicano apoiou o impeachment anterior contra Trump em 2019, e apenas um senador do partido, Mitt Romney, votou para condená-lo. O presidente foi então absolvido da acusação de reter ajuda financeira para obrigar a Ucrânia a investigar uma suposta corrupção de seu adversário político Biden.
Mas desta vez, dez legisladores votaram a favor do "impeachment", entre eles Liz Cheney, uma das líderes da minoria republicana e filha do ex-vice-presidente Dick Cheney. 
A presidente da Câmara e líder da maioria democrata, Nancy Pelosi, revelou os nomes de sua equipe de "promotores" que levará o caso ao Senado, ainda dominado por republicanos, para o impeachment.
Mais preocupante para Trump e seu possível futuro político é que Mitch McConnell, líder da maioria republicana no Senado, dizer a seus aliados, segundo reportagens do New York Times e da CNN, que via o "impeachment" favoravelmente, considerando que o julgamento tem fundamento e ajudaria o Partido Republicano a virar a página de Trump para sempre.
Este estrategista inteligente, aliado altamente influente e crucial de Trump por quatro anos, pode ser a chave para o resultado desse procedimento histórico, porque poderia encorajar senadores republicanos a condenar o 45º presidente dos EUA.

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