Publicado 17/01/2021 - 12h41 - Atualizado 17/01/2021 - 16h46

Por Delma Medeiros

Sandra Ciocci afirma que vai aproveitar algumas coisas j? estruturadas, como a elei??o do novo Conselho de Cultura, para agilizar as iniciativas

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Sandra Ciocci afirma que vai aproveitar algumas coisas j? estruturadas, como a elei??o do novo Conselho de Cultura, para agilizar as iniciativas

Depois de ficar por oito anos como primeira-dama de Campinas, num trabalho voluntário ligado principalmente a programas sociais, Sandra Ciocci encara agora um novo desafio, administrar a Secretaria de Cultura de Campinas, uma pasta que, além do baixo orçamento, enfrenta as dificuldades de oferecer cultura e arte à população nesse cenário distópico de pandemia e isolamento social. Mas, em entrevista exclusiva ao Correio Popular, ela afirma que está preparada para administrar essa situação delicada. “Sou professora-doutora na Facamp, com um projeto que cria atividades artísticas para quem não faz arte. No ano passado, com a pandemia, as atividades presenciais tiveram que passar para o formato on-line, e tive que me adaptar. Vou usar essa experiência agora na administração da Secretaria”, afirma.
O primeiro desafio foi criar, num período curto, o Plano 100 Dias, que foi apresentado no início da semana pelo prefeito Dario Saadi (Republicanos). O projeto 100 Dias está focado, principalmente na Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas,maior patrimônio cultural da cidade. “A Orquestra está de férias até 31 de janeiro e, em fevereiro ainda teremos apresentações sem plateia. Então o primeiro ponto do Plano é preparar um vídeo, a ser exibido no canal da Orquestra, pelo Whatsapp e no Cultura Abraça Campinas, para marcar as comemorações pelos 100 anos de nascimento de Zé Keti, ”, adianta Sandra. “Estaremos perto do Carnaval, não deve ter desfile nem ações presenciais. Zé Keti é autor de muitos sambas e marchas carnavalescas. Nada mais apropriado que esse vídeo para marcar o centenário (Zé Ketti nasceu em setembro de 1921)”, avalia. Sandra ainda antecipa que a gravação terá vários convidados, artistas da cidade, com estilos musicais variados.
O segundo item é a apresentação do Plano de Gratuidade de Concertos da OSMC. “A pandemia afetou a economia de muitas famílias. Dessa maneira, a Prefeitura de Campinas acredita que o acesso a atividades culturais seja de extrema importância. Para que os moradores de Campinas tenham possibilidade de participar dessas atividades, enquanto reorganizam suas finanças, a Secretaria de Cultura vai elaborar um plano de gratuidade aos concertos da OSMC por 1 ano, a partir da data de permissão para a realização de concertos com plateia presencial”, explica a secretária. “Os músicos são pagos pelos munícipes, é justo nesse momento oferecer concertos gratuitos e não apenas nas praças, Concha Acústica e Estação Cultura, mas também nos teatros.”
Ela ressalta que o processo de reabertura dos teatros vai atender todos os critérios de segurança sanitária. “Estive em espetáculos presenciais em São Paulo para conhecer os procedimentos de segurança, Os espaços atuam com capacidade reduzida; o teatro enche de baixo para cima e esvazia de cima para baixo para evitar o contato entre as pessoas; os lugares são demarcados e com distanciamento; tem sistema diferenciado de controle de ingressos já que não pode dar tickets etc”.
O terceiro ponto é a implantação do Selo Amigos da Cultura. Sandra explica que tem uma lei criando o selo, de autoria do vereador Professor Alberto, aprovada em março de 2017, que nunca foi colocada em prática. “A ideia é a Secretaria implantar o Selo, permitindo parceria público-privada para patrocínios de ações culturais, que poderão ser desde a forma de apoios a pequenos eventos até a restauros de edifícios históricos”, comenta. Nesse sentido, o projeto contempla cinco categorias diferentes de “Amigos da Cultura” para pessoas físicas e jurídicas. “Estamos correndo agora para elaborar o projeto nesses 100 dias.”
Segundo a secretária, algumas coisas já estão estruturadas. “O novo Conselho de Cultura será eleito nos dias 28 e 29 de janeiro, o que abre a possibilidade de diálogo da sociedade civil com a Secretaria, de forma a buscarmos alternativas e construirmos juntos as ações culturais para a cidade”. A secretaria destaca que algumas coisas que chegaram com a pandemia serão mantidas, como a utilização de ferramentas tecnológicas, como os trabalhos em vídeo exibidos do canal Cultura Abraça Campinas, entre outros.
Mudanças estruturais buscam agilizar trabalhos
Maestro Victor Hugo continua como diretor art?stico da Orquestra
Numa nova gestão é comum ocorrerem mudanças estruturais e de pessoal. Uma alteração que já está definida, segundo a secretária Sandra Ciocci, é a mudança da diretoria administrativa da Orquestra Sinfônica, que até então funcionava na Estação Cultura, para a Secretaria de Cultura. “Com o administrativo da Sinfônica em outro prédio, os processos eram mais morosos, até pelo deslocamento. Ao lado do administrativo da Secretaria, tudo vai fluir melhor. A mudança vai agilizar muito os processos e até estreitar a convivência com os músicos, que eventualmente terão que ir até a pasta tratar de questões administrativas.”
Sandra destaca sua “paixão” pela Sinfônica de Campinas. “Cresci ouvindo a Orquestra. Sou apaixonada. Brinco com os músicos que sou a audiência mais ativa deles. Fui em quase todos os concertos em 2019, tanto em Campinas como fora. Quero que a Orquestra seja mais divulgada e tenha um contato cada vez maior com o público. A Orquestra é da cidade, tem que estar próxima da população”.

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Delma Medeiros