Publicado 08/01/2021 - 09h10 - Atualizado 08/01/2021 - 09h10

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Diz um milenar ditado que “o futuro a Deus pertence”. Neste momento, tenho minhas dúvidas. Acho que Deus tem um sócio nessa propriedade e acho até que majoritário: o coronavirus.
Como presidente da empresa, o tal tem tomado decisões que, tenho certeza, estão desagradando o Criador. Dia desses será apeado do posto e tudo vai voltar ao normal, com o belzebu sendo defenestrado em direção aos quintos dos infernos.
Enquanto o motim não acontece, vou buscar em tempos passados assunto para mais uma crônica. Estive pensando na ultima viagem que fiz para os Estados Unidos com toda a minha família. “Nós 9”, como diz minha netinha Alice.
Foi uma viagem extraordinária! Analisando tudo, chego à conclusão que só pode ter acontecido em função da enorme competência de minha filha Liza e de meu filho Maurício.
Liza tem uma capacidade excepcional de organizar roteiros de viagem. Como se fosse uma profissional do ramo de turismo, pesquisa, faz levantamentos, traça itinerários, busca atrações, faz reservas, compra passaportes em parques temáticos, tudo enfim. Com a ajuda importante de meu genro Ricardo, escolhe o melhor veículo para nossa locomoção. É preciso que seja confortável, já que são muitos os quilômetros a serem rodados. Alem disso, é necessário que caiba uma bagagem imensa.
Na última viagem, alugamos uma perua Ford E-350, com lugar para 15 pessoas. Como somos 9, o espaço dos bancos excedentes foi usado para bagagem. E haja mala... O roteiro de Liza envolve uma infinidade de shoppings e outlets. Como na minha família “ninguém” gosta de comprar, a começar por mim, imagine a situação do veículo no fim da viagem.
Neste exato instante da elaboração desta crônica, chega a notícia da invasão do Capitólio, o Congresso Americano por criminosos apoiadores de Trump. Ver isso acontecer num país onde a democracia, sinônimo de liberdade, é absolutamente sagrada, é inadmissível. O estimulo para a barbárie só poderia partir de um cérebro atrofiado e comprometido pelo egocentrismo ridículo como o de Trump.
Era uma tragédia anunciada. O mundo inteiro sabia o que iria acontecer com a maior potencia mundial sob o comando do supremo idiota! Deu no que deu!
De toda a maneira, não foi para falar de Trump e sua imbecilidade que me sentei para escrever. Estava, muito ao contrário, disposto a dizer das belezas dos Estados Unidos, do imenso prazer que é viajar por aquele país fantástico. Estava, não! Estou!
Dizia eu do veículo que tínhamos alugado e que seria entregue à competência e maestria ao dirigir de meu filho Maurício. O rapaz é absolutamente fora de padrão. Dono de uma visão privilegiada e de uma atenção incrível, enxerga tudo: na estrada, ao lado da estrada e no céu, acima da estrada. Pois não é que foi capaz de enxergar uma águia americana voando a prumo sobre o nosso carro? Em outra ocasião, viu um cervo atrás das árvores da estrada muito antes de qualquer um de nós. De outra feita, viu três lobos perseguindo um outro cervo em plena noite. E nos mostrava tudo!
Estávamos, então, em excelentes mãos para percorrer os 3.600 quilômetros que nos levavam do Maine à Flórida, num total de 16 estados. Pegamos neve amena, neve forte e grandes nevascas. Passamos por pequenas e deliciosas cidades, por estradas cercadas por pinheiros congelados, brancos como uma paisagem natalina, sempre com a alegria de Andrezza, minha nora, que animava a todos, principalmente as crianças, com divertidas canções infantis.
Vimos coisas espetaculares como as praias de cascalho e areia negra em Kitary, no Maine. Fomos às Estações de Esqui em Killington, no estado de Vermont, onde o branco da neve chega a doer nos olhos. De lá trouxe um souvenir que até hoje me encanta: um alce de bronze, pesadíssimo, que vive em paz na mesa de meu escritório.
Passamos por lugares que me remeteram a episódios de “Caçadores de Relíquias”. Bugigangas mil, funcionando como um imã para esse inveterado colecionador.
Estivemos em New Hampshire, Delaware, Nova York, nas duas Carolinas, Georgia, onde a cidade de Savannah nos deixou absolutamente fascinados! Não só pela beleza, mas, por termos estado lá no dia de São Patrício ou Saint Patrick, o Santo nacional da Irlanda. Como a comunidade irlandesa ali é enorme, a festa comemorativa era de arromba! E nós 9, lá! Os maiores, à exceção de Maurício, com grandes copos de cerveja na mão, fazendo par com linguiças deliciosas! Tudo às margens do rio Savannah.
Há tanto para dizer daquele país espetacular, mas, confesso que a sombra dos acontecimentos do último dia 6, toldaram um pouco as imagens que quero e ainda vou retratar...
José Roberto Martins é professor, jornalista e membro da Academia Campinense de Letras (ACL)

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